Fernando Machado

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Almir, estou roxo de saudade de ti

O velório do Rei das Passarelas dos nossos carnavais, Almir da Paixão, foi simples, como era o seu feitio. Não tivemos missa de corpo presente, apenas orações primeiro pela sua amiga e Ministra da Eucaristia Lucia Queiroz e depois por um diácono do Cemitério Memorial Guararapes, em Prazeres. Sua filha Karla e o marido Maxwell Rodrigues, e seus dois filhos, Guilherme e Giovanna, estavam visivelmente emocionados.

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O momento sombrio da despedidas do Almir (Foto: Fernando Machado)

E sobre a proteção de Cristo na Cruz. Cheguei junto do caixão e por cinco minutos fiquei em silencio, procurava palavras para agradecer a Deus por tê-lo colocado no meu caminho. Sofri ao seu lado quando alguns concorrentes de fantasias o machucava. Vibrava quando faturava os primeiros lugares no Bal Masqué ou no Muncipal. E nunca choramos porque “Ainda que vier noites traiçoeiras / Se a cruz pesada for, Deus estará contigo / O mundo pode até fazer alguém chorar / Mas Deus te quer sorrindo”.
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Um momento inesquecível na hora da despedida (Foto: Fernando Machado)

Não fiquei surpreso pela ausência dos carnavalescos que subiram nas passarelas ao seu lado, ou de coroas de flores do Clube Internacional do Recife e da Prefeitura da Cidade do Recife. A amiga Auris me confessou: “Era um homem do bem só pensava em ajudar os outros, mas foi enganado, roubado e maltratado, mesmo assim não tinha raiva de ninguém. Gostava de afirmar “Estou ótimo, Auris, melhor caio duro”. Esse era o Almir o que acolhi desde 1972. Remetia a São Francisco: “Onde houver tristeza / Que eu leve alegria / E é morrendo que se vive para vida eterna”.

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