Fernando Machado

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Esquinas do Mundo

Quarta-feira, no Hotel Conrad New York tivemos o lançamento do visto eletrônico para os norte-americanos. O encontro concorrido o minsitro do Turismo, Marx Beltrão recebia os convidados ao lado do presidente da Embratur Vinicius Lummertz, o presidente da Riotur Marcelo Alves. Desde ontem o prazo será de 72 horas e mais a taxa cobrada cai de US$ 160 para US$ 40.

Vinicius Lummertz, Marx Beltrão e o embaixador do Brasil nos EUA Sergio Amaral (Foto: Divulgação)

O Bloco Me Esquece fundado por moradores da Zona Sul do Rio de Janeiro, vai homenagear este ano o pernambucano Abelardo Barbosa, no seu desfile do próximo domingo. O tema escolhido foi Cassino do Chacrinha. O bloco vai sair às 9h, pelos arredores do Jardim Botânico. Anna Ramalho informa que a família do Chacrinha estará firme e forte na festa.

Chacrinha renasce no Siri na Lata

Jarbas Vasconcelos com os filhos Jarbinhas, Andrea e Adriana (Foto: Fernando Machado)

Antônio Lavareda e Terezinha Nunes (Foto: Fernando Machado)

Sexta-feira o Clube Português virou literalmente no Cassino do Chacrinha e arrebentou. Graças ao 41º Baile do Siri na Lata que resolveu, e acertou em cheio, homenagear Chacrinha (1917/1987) que no próximo dia 30 de setembro faria 100 anos. A decoração, de Marcus Rodrigues, estava deslumbrante, colorida, tendo como contraponto muitas bolas. Meia noite, o baile propriamente, começou quando Almir Rouche subiu ao palco ao lado de oito chacretes. As outras atrações foram Maestro Forró, Otto e Fafá de Belém.

Augustus e Mirella Freitas, Lucia e João Wanderley (Foto: Fernando Machado)

Carlos Augusto Costa à côté Juliana (Foto: Fernando Machado)

O publico foi à loucura, quando Almir by Chacrinha cantou o tema da abertura do Cassino do Chacrinha. E salão lotado todos gritando como se fosse a ultima vez de suas vidas: “Abelardo Barbosa / Está com tudo e não está prosa / Menino levado da breca / Chacrinha faz chacrinha / Na buzina e discoteca / Ó Terezinha, ó Terezinha / é um barato o cassino do Chacrinha / Ó Terezinha, ó Terezinha / é um barato o cassino do Chacrinha”.

Domingos e Vanessa Salazar (Foto: Fernando Machado)

Paulo Braz entre as musas Fabiana Melo e Lais Vieira (Foto: Fernando Machado)

Depois ele cantou a musica do Siri compota por Carlos Fernando (1938/2013), “Cuidado menina não deixa fugir / O siri da lata / Quero ver quem aguenta o rojão / Neste chão, neste sol / Neste frevo até quarta / Não é de ouro / Não é de prata mas vale um milhão a sua pata / Assegura a imprensa e toda a moçada /Do siri na lata / Por isso olho na tampa, na brecha da lata / Na flecha do índio, na ação do pirata / Se o danado fugir / Vai chorar a mulata / Não tem mais / carnaval.”

As musas Henriqueta de Belli, Fabiana Melo e Lais Vieira (Foto: Fernando Machado)

As diabinhas Jô Silva e Juliana Oliveira (Foto: Fernando Machado)

O Siri na Lata nasceu nas ladeiras de Olinda em 1976, criado pelo jornalista Homero Fonseca, que não vai mais ao baile. Sempre foi um bloco de jornalistas, que é como um siri numa lata: faz barulho critica, denuncia e protesta. O seu nome completo era Bloco Anárquico Armorial Siri na Lata. Anarquia era a marca do grupo. Nunca teve sede, sócios nem diretoria. As brincadeiras e críticas espirituosas é que faziam a diversão dos sirinianos.

Maria Fernanda Valença e Victor Mendes (Foto: Fernando Machado)

Ricardo Carvalho e David Hullak (Foto: Fernando Machado)

E no domingo de Carnaval, todo mundo se reunia num bar à beira-mar de Olinda conhecido como Maconhão para depois subir a ladeira. O primeiro baile aconteceu no Clube Batutas de São José, na seqüência no Clube Atlântico de Olinda, na Torre Malakoff, no Cais da Alfândega, no Clube Líbano e agora está no Clube Português. E para marcar mais o Cassino do Siri, três musas a trans Fabiana Melo, a promotora de justiça Henriqueta de Belli e a deus de ébano Lais Vieira, também subiram ao palco e arrasaram.

Rita de Cássia e Hernenn Dantas (Foto: Fernando Machado)

Adriana e Roberto Borba (Foto: Fernando Machado)

Almir Rouche interpretou várias marchinhas de carnavais passados como “O teu cabelo não nega, mulata / Porque és mulata na cor / Mas como a cor não pega, mulata / Mulata, eu quero o teu amor / O teu cabelo não nega, mulata / Porque és mulata na cor / Mas como a cor não pega, mulata / Mulata, eu quero o teu amor”, dos Irmãos Valença. E assim: “Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô / Mas que calor, ô ô ô ô ô  ô / Atravessamos o deserto do Saara / O sol estava quente / Queimou a nossa cara / Viemos do Egito / E muitas vezes / Nós tivemos que rezar / Allah! allah! allah, meu bom allah!”

Sandra Paixão e o filho Raian, com Camila Rosala e Renan Alves (Foto: Fernando Machado)

Silvio Meira e Katia Betmann (Foto: Fernando Machado)

Quero parabenizar os produtores Ricardo Carvalho e Paulo Braz por valorizar o frevo e as marchinhas cariocas. Parecia que estava nos bailes municipais dos anos oitenta quando ouvi Mamãe, eu quero, mamãe, eu quero / Mamãe, eu quero mamar / Dá a chupeta, dá a chupeta / Dá a chupeta pro bebê não chorar”, e na seqüência: “O jardineira por que estas tão triste / Mas o que foi que te aconteceu / Foi a Camélia que caiu do galho / Deu dois suspiros e depois morreu / Foi  a Camélia que caiu do galho / Deu dois suspiros e depois morreu”.

Simone e Ronan Drumond  (Foto: Fernando Machado)

Virginia e Silvio Neves Baptista Filho, Claudia e Mauro Alencar (Foto: Fernando Machado)

É um barato o Cassino do Chacrinha

Domingo foi um dia de graça para mim. Revi de uma forma diferente o Chacrinha, agora como o musical. Lembrei da noite que fui assistir A Discoteca do Chacrinha, na TV Globo, que acontecia nas quartas-feiras. Era um festival de cores e de loucura. E o autor desta festa multicolorida era o pernambucano Chacrinha, ou Abelardo Barbosa (1917/1988). O melhor espetáculo que assisti este ano, foi sem dúvida, Chacrinha, O Musical. O ator Stepan Nercessian, reencarnou o Chacrinha.

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Stephan Nercessian como Chacrinha (Foto: Caio Gallucci)

Parecia que eu estava vendo Abelardo Barbosa, no camarote do governador adorando o espetaculo. A Discota do Chacrinha começou em 1957, na TV Tupi. Depois fez um pit stop na TV Rio em 1968, aterrisou na TV Globo, onde permaneceu até 1972, por ter se desentendido com com o diretor de programação, Boni. Chacrinha tinha dois programas a Hora da Buzina, aos domingos e a Discoteca do Chacrinha, nas quartas-feiras. Quem não lembra este refrão: É hora, é hora, é hora  da buzina. O programa que acaba quando termina.

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Josildo Sá entre duas chacretes (Foto: Fernando Machado)

Ao sair da Globo retornou para Tupi e, na sequencia para Bandeirantes, e finalmente aterrisou na TV Globo, reunificando a Hora da Buzina e a Discoteca do Chacrinha, que se transformou no Cassino do Chacrinha, que estreou no dia 6 de março de 1982. O último programa foi gravado e exibido em 2 de julho de 1988. Chacrinha faleceu dois dias antes, vítima de câncer do pulmão. Foi o autor da célebre frase: Na televisão, nada se cria, tudo se copia. Era chamado de Velho Guerreiro, graças a Gilberto Gil, que compôs Aquele Abraço.

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Um click da primeira parte do espetáculo (Foto: Fernando Machado)

“O Rio de Janeiro continua lindo / O Rio de Janeiro continua sendo / O Rio de Janeiro, fevereiro e março / Alô, alô, Realengo / Aquele Abraço! / Alô torcida do Flamengo / Aquele abraço / Chacrinha continua / Balançando a pança / E buzinando a moça / E comandando a massa / E continua dando / As ordens no terreiro / Alô, alô, seu Chacrinha / Velho guerreiro / Alô, alô, Terezinha”. Puxa! Senti o Velho Guerreiro gritar no Teatro de Santa Isabel: Teresinha!,  Vocês querem bacalhau?, Eu vim para confundir, não para explicar! e Quem não se comunica, se trumbica!.

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Alexandre e Corina Oliveira, as chacretes e Chacrinha (Foto: Fernando Machado)

Agora vamos ao Chacrinha, o Musical, cujo texto é de Pedro Bial e Rodriguo Nogueira e direção de Andrucha Waddington. A primeira parte achei meio sem graça, onde conta a vida de Abelardo Barbosa, em Pernambuco. Um cenário mórbito, todavia na segunda parte era o verdadeiro Chacrinha em cena, com cenário tecnicolor. Até o publico interagiu, pois foi montado no palco do Santa Isabel, duas arquibancadas, onde ficaram os fãs do Chacrinha.

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Christina Gondim, Isabela e Stênio Neiva Coelho (Foto: Fernando Machado)

Na Buzina do Chacrinha, Russo tentou várias pessoas para participarem como calouros, apenas dona Walderez, aliás o nome de uma chacrete, que Chacrinha criou esse refrão: Walderez, quem dança com ela uma vez fica freguês. E Walderez arrasou cantando o Hino de Pitombeiras, e claro Chacrinha não acionou a buzina.  Muito boa a participação especial de Josildo Sá. O ator que interpretou Orlando Silva tinha um cheiro de malva, arretado. Quem não conheceu o cantor pensou que ele era da turma alegre.

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Andre Brasileiro e Tadeu Gondim entre duas chacretes (Foto: Fernando Machado)

Também tivemos no palco Clara Nunes, Ultraje a Rigor, Titãs, Benito de Paula, Carmen Miranda, Elba Ramalho, Dercy Gonçalves, Wanderlea, Sidney Magal, Roberto Carlos, Ritchie e Ney Matogrosso que levou o público ao delírio. Stephan Nercessian está perfeito no papel. E sai do teatro cantando: “Abelardo Barbosa / Está com tudo e não está prosa / Menino levado da breca / Chacrinha faz chacrinha / Na buzina e discoteca / Ó Terezinha, ó Terezinha / é um barato o cassino do Chacrinha “.