Fernando Machado

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As Bodas de Prata do Camburão da Alegria

O bloco Camburão da Alegria, primeira agremiação carnavalesca do Brasil criada por policiais militares, completa 25 anos de folia com muita história para contar. Seu primeiro desfile foi realizado em 28 de fevereiro de 1993, primeiro domingo após o Carnaval, na Avenida Boa Viagem, sendo aberto pelo vice-governador Roberto Fontes, com tudo que teve direito: trios elétricos, orquestra de frevo, boneco gigante, porta-estandarte e milhares de foliões de todas as categorias profissionais, dentro da proposta de oferecer uma opção de divertimento para os policiais e bombeiros militares que passam todo o período carnavalesco trabalhando.

Os bonecos gigantes no abre alas do Camburão da Alegria em 28 de fevereiro de 1993 (COPM Jornal)

O bloco foi criado na Assessoria de Comunicação Social pelo então tenente-coronel Geraldo Severiano, auxiliado pelo então major Antonio Neto, que coordenou a pesquisa para escolha do nome do bloco. O nome vencedor foi uma sugestão do pessoal do Batalhão de Choque. O estandarte foi confeccionado pelo cabo Severino Martin, carnavalesco que desde então é o porta-estandarte oficial do bloco. Em seu primeiro desfile saiu com um boneco gigante criado pelo artista plástico Sílvio Botelho, com direito a um frevo especial composto Gustavo Tiné, um samba de Júnior Alegria e um frevo orquestrado do tenente Djalma Feliciano.

Um soldado virou boneco gigante (COPM Jornal)

Entre os milhares de foliões estavam o comandante Romero Leite, o chefe do Estado Maior Heráclito Toscano, o superintendente da Polícia Federal Ayrton Marques Mendes. No primeiro desfile o bloco recebeu o apoio do jornalista Marcelo Mário de Melo, presidente da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, que confessou ter ficado impressionado com o sucesso do bloco. Atualmente o bloco desfila em Olinda já pelo segundo ano, depois de ter sido enxotado da avenida Boa Viagem pelo Secretário de Segurança Urbana do Recife, Murilo Cavalcanti, que tomou essa controvertida decisão no início da gestão de Geraldo Júlio, como medida invertida de integração entre sua pasta e os integrantes de uma corporação responsável pela segurança preventiva da população.

O major Antônio Neto um dos fundadores do Camburão da Alegria (Foto: Divulgação)

A Avenida Boa Viagem, por ironia, ficou reservada com exclusividade para a parada gay e a marcha para Jesus. O pessoal do bloco passou a desfilar no centro da cidade e depois se mudou para Olinda, onde foi recebido com o carinho e a consideração que merece. (Jornalista Antônio Neto)

 

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1 Discussion on “As Bodas de Prata do Camburão da Alegria”
  • Amigo Fernando
    Obrigado pela lembrança das Bodas de Prata do Camburão da Alegria. Além desse agradecimento, peço licença para lembrar a colaboração valiosa dos então capitães Martins Júnior, Paula Cysneiros e Chusa Júnior, além dos tenentes Roberto Gomes, Rivail Silva (in memorian)e José Carlos Beltrão. Sem esquecer dos sargentos Denise e Roberta e todos os demais integrantes da equipe da Assessoria de Imprensa da PMPE.
    Para colocar o bloco na rua tivemos que enfrentar a resistência de dois coronéis da corporação, que fizeram longos ofícios se colocando contra o bloco que, segundo eles, seria uma ameaça à hierarquia e à disciplina. Felizmente os documentos foram arquivados e nem para a história ficaram, pois sumiram misteriosamente. Os nomes dos seus autores foram merecidamente esquecidos. No terceiro desfile, o bloco saiu da Assessoria de Imprensa e foi abrigado no Clube dos Oficiais, cujo presidente, coronel Heráclito Toscano, que também era chefe do estado-Maior, garantiu a saída da agremiação. Hoje, o bloco é uma entidade autonôma, de direito privado, presidida pelo coronel reformado José de Almeida Correia, e com tradição suficiente para se manter por muitos e muitos anos, pois só produz alegria para os militares estaduais e seus familiares. Cordialmente Antonio Neto

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