Fernando Machado

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Vi o que restou das ruas Nova e Imperatriz

O confrade João Alberto afirma que a dupla confete e serpentina que muito embeleza o Carnaval desapareceu. A Prefeitura do Recife, começou na gestão do depredador e continua na de Geraldo Júlio de Mello Filho, mas acredito que ele depois de arrumar a casa vai valorizar as Ruas Nova e Imperatriz. Eu faço fé. Eram nelas que o carnaval recifense ganhava glamour, charme e beleza.

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Os alagoanos na Rua da Imperatriz: Eraldo Ferraz e Gil Lopes (Foto: Fernando Machado)

Imagine que as Ruas Nova e Imperatriz, ontem, parecia que não era carnaval. Nesta última, graças aos Blocos da Saudade, Eu Acho é Pouco e Um Bloco em Poesia, podíamos relembrar o passado. Joaquim Nabuco que nasceu na Imperatriz deve está muito triste e quem sabe nem poderia dizer:”A consciência é o último ramo da alma que floresce; só dá frutos tardios”. Nelas nada de decoração, ou seja tinha sim, aquele emaranhado de fios nos postes que pode levar os foliões à morte (eletrocutado).

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Eis a decoração da Rua da Imperatriz (Foto: Fernando Machado)

Na Praça Maciel Pinheiro onde morou Clarice Lispector (1920/1977) nem vestígio de carnaval. Acho que lá no céu a notável Clarice recitou “Um amigo me chamou pra cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso. E fui” e depois ficou cantando: “Adeus, adeus querido carnaval / Vamos partir/ Levando mil recordações / Porque nosso bloco sem rival / Tem simpatia / Prende todos os corações”, de Augusto Bandeira.

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Ana Maria da Silva desolada com o que restou da Rua Nova (Foto: Fernando Machado)

Quando cheguei a Rua Nova dona Ana Maria Silva, do alto dos seus 74 anos, lembrava Rodin. E perguntei para ela que se passava e respondeu por aqui tudo de bom desfilava. Dona Elza estava incorporando Antônio Maria, via seu Frevo N° 2 do Recife. E ela tinha toda razão, daquela rua somente lembranças. Na Rua Nova tínhamos a Etam, a Sloper, o Helvética e outros points famosos.

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A Rua da Imperatriz numa segunda-feira de Carnaval (Foto: Fernando Machado)

Leia o frevo: “Ai que saudade tenho do meu Recife / Da minha gente que ficou por lá / Quando eu pensava, chorava, falava / Contava vantagem, marcava viagem / Mas não resolvia se ia / Vou-me embora / Vou-me embora / Vou-me embora / Pra lá / Mas tem que ser depressa / Tem que ser pra já / Eu quero sem demora / O que ficou por lá / Vou ver a Rua Nova, / Imperatriz, Imperador / Vou ver, se possível / Meu amor”.

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