Fernando Machado

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Réquiem para Valdelusa!

Ontem uma nuvem de tristeza tomou conta de mim, quando fui informado do falecimento da amiga Valdelusa D’Arce. Eu já esperava essa noticia, todavia sempre nos choca. Val agora está fazendo noticia no céu. A jornalista Valdelusa D’Arce era uma figura humana maravilhosa. Calada e muito ética. Nasceu em Correntes, mas logo foi morar em Garanhuns, onde estudou no Colégio Santa Sofia. Depois fixou residência no Recife, estudou no Colégio Padre Felix e na sequencia Jornalismo na Unicap.

 

Valdelusa D’Arce quando se formou em jornalismo pela Unicap (Foto: Divulgação)

Sempre sonhou em atuar no jornalismo e em 1972 iniciou sua incursão quando foi trabalhar no Diário de Pernambuco. Começou traduzindo telegramas no setor Internacional. Foi transferida para o setor de turismo chegando ser a sua editora. Viajou muito pelo mundo a fora. Paralelamente era coordenadora do Curso de Jornalismo da Unicap, onde atuou por oito anos.

Valdelusa numa reunião festieja da Abrajet-PE (Foto: Fernando Machado)

Foi Secretária de Turismo de Itamaracá, cidade que adorava, chegando a comprar uma casa lá, para passar os finais de semana. Escreveu um livro sobre a Ilha, todavia num momento decepção rasgou. Era amiga do cantor Reginaldo Rossi, chegando a confessar que gostaria de ser enterrada ao lado dele. Infelizmente não foi possível. A música garçom foi composta por Rossi, quando estava com Valdelusa num bar.

Valdelusa entre Ricardo Guerra e Luiz Felipe Moura na Casa de Gilberto Freyre, em Apipucos (Foto: Fernando Machado)

Valdelusa foi demitida do Diário de Pernambuco e depois da Universidade Católica de Pernambuco esses fatos a deixaram meio para baixo. Este blog, fiel aos rituais do futebol, pede um minuto de silencio para ela. E assim a nossa geração vai partindo, e com ela um pouco de nós. Val você deixou seu nome perpetuado no mural do jornalismo que está de luto, e claro muita saudade.

 

Réquiem para Carlos Ivan

“Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes / Camponeses, Apôis Fum / e o Bloco Um Dia Só / Os Corações Futuristas, Bobos em Folia / Pirilampos de Tejipió / A Flor da Magnólia / Lira do Charmion, Sem Rival / Jacarandá, a Madeira da Fé / Crisântemos Se Tem Bote e / Um Dia de Carnaval / Pavão Dourado, Camelo de Ouro e Bebé / Os Queridos Batutas da Boa Vista / E os Turunas de São José / Príncipe dos Príncipes brilhou / Lira da Noite também vibrou / E o Bloco da Saudade, assim recorda tudo que passou”.

Carlos Ivan durante recital da Professora Dolores Maia e Silva no Santa Isabel em 1966 (Foto: Acervo da família)

Começo essa homenagem evocando Valores do Passado de Edgard Moraes, porque ontem Pernambucano perdeu um grande carnavalesco. Estamos nos referindo a Carlos Ivan Vieira de Melo o primeiro a criar as fantasias do Bloco da Saudade, desde 1973. Ainda criança enveredou na pintura, decoração e música, com especialidade em piano. É viúvo de Silvia onde viveram por 19 anos. Olindense, nascido na Rua Coronel João Lapa n° 138 em 20 de julho de 1942 nos arredores do Varadouro.

Amilcar Barbosa, José Adolfo (presidente do Homem da Meia Noite), Isabel Bezerra, Carlos Ivan e Claudia Melo (Foto: Acervo da Família)

Coordenou as fantasias do Pitombeira dos Quatro Cantos nas décadas de 1970 à 2000 como Carnavalesco. Colaborou com seus desenhos a Zebra de Olinda, o Bloco Flor da Lira,  a troça Barnabés de Olinda, troça dos Funcionários da Prefeitura de Olinda e a troça Dona Sinhá que também era de Olinda. Confeccionou o estandarte do Peru do Poço da Panela do Recife, criou os estandartes da troça Ta-Maluco. Criou a roupa do Homem da Meia Noite em 2018, quando mostrou toda sua Olinda no referido traje.

Carlos Ivan e sua esposa Sylvia (Foto: Acervo da Família)

Atualmente era carnavalesco do Bloco da Saudade, do Recife, mas, a sua primeira apresentação era em Olinda, o referido bloco em 2018 mostrou Olinda através de suas criações, recentemente celebrou seu Jubileu de Prata no Palácio dos Governadores de Olinda com um grandioso desfile, onde deu ênfase a história de Olinda mostrando os personagens da fundação da Cidade Século  XVI, Jerônimo de Albuquerque,  a Índia Arcoverde, Duarte Coelho e Dona Brites, depois voltou-se para o século XIX mostrando o farol de Olinda e os acendedores de lampiões por meio de suas criações.

Carlos Ivan diante do Flabelo do Bloco da Saudade (Foto: Bloco da Saudade)

Carlos Ivan Vieira de Melo era do sagrado e do profano. Criou via sua arte os célebres andores de Olinda fazendo atualmente o dos Passos da Marim dos Caetés, durante 35 anos arquitetou os andores de Nossa Senhora do Carmo, a padroeira da cidade do Recife. Em 1972 criou a festa (Olinda no tempo das sinhazinhas) revivendo o passado da Cidade, o evento chegou até ao guia turístico brasileiro. Foi fundador do Colégio de São Bento de Olinda, na época era Ginásio de São Bento da Restauração Pernambucana. Criou a logomarca do Colégio Estadual de Olinda e a sua primeira bandeira pintada à mão. Dirigiu por muito tempo o cerimonial do Palácio dos Governadores e era membro da Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda.

Carlos Ivan e seu amigo Paulo Teles (Foto: Face)

Sua maior honra como olindense foi ter recebido do poder legislativo de Olinda em 2008 a Medalha Aloísio Magalhães, indicada na época pelo vereador Carlos Alberto Regueira de Castro e Silva. E encerro com Saudade de Aldemar Paiva: “Saudade, é isso que a gente sente / Saudade, é feita que faz a gente / Alguém que partiu / Alguém que morreu/ Alguém que  coração não esqueceu / Podem tocar os clarins / As notas do prazer e da exaltação / Podem passar arlequins / Pierrôs e colombinas no salão / Podem dançar e cantar / Não levam não, / A saudade do meu coração”.

Carnaval e Musica Inesquecíveis IV

A presidente do Bloco da Saudade, Isabel Bezerra, confessa que “nos 44 anos que estou no Bloco todos os carnavais foram maravilhosos. E a minha música preferida é Saudade de Aldemar Paiva. Saudade é isso que a gente sente. Saudade é  falta que faz a gente. Alguém  que partiu. Alguém que morreu. Alguém  que o coração não esqueceu. Podem tocar os clarins as notas do prazer da exaltação. Podem passar arlequim pierrôs e colombinas no salão. Podem dançar e cantar não levam não, a saudade do meu coração.

Isabel Bezerra é presidente do Bloco da Saudade (Foto: Fernando Machado)

O imortal José Nivaldo Junior confessa “Para mim, não existe carnaval esquecível. Todos os que brinquei, e foram muitos, deixaram lembranças marcantes e registros para sempre. São inesquecíveis o Boi de Nanico, as catarinas, os cabaçais, os “morto carregando o vivo”, dos sábados de Zé Pereira em Surubim. Os corsos com mela-mela, no Recife. O bloco Itapecirica Assanhada. Os desfiles da turma do Tesão. O primeiro desfile de fantasias do Nóis Sofre mas Nóis Goza. Os desfiles do Galo e do Nóis Sofre. As brincadeiras com uma burra, junto com Adão, no Recife Antigo. O Boi das Moças, com Eurico Queiroz.  As centenas de encontros com amigos. As ladeiras de Olinda”.

José Nivaldo Junior e Tarcisio Pereira (Foto: Face)

– Os papangus em Bezerros. Os maracatus de Nazaré da Mata. As La Ursas de São Caetano. O “Amantes de Gloria” o Amantinhos de Glória, com os netos, já ano passado. Tudo se compacta na memória, formando um único, eterno e inesquecível carnaval”. Da mesma forma não consigo indicar uma música. As de Capiba são maravilhosas, também as de Nelson. De Michilis. De Getúlio Cavalcanti. Os hinos de Elefantes, Pitombeiras, do Homem da Meia Noite. Do Galo da Madrugada. Se essa rua fosse minha… Impossível escolher uma. Mas se fosse forçado a escolher, diria duas: “Os lisos no frevo”, do meu pai. E O galope do Carnaval da Saudade do meu filho Danilo, feita para o triste carnaval desse ano”.

De Volta para o Passado

Há 120 anos, morria no Rio Grande do Norte, a poetisa Auta de Souza, que nasceu no dia 12 de setembro de 1876.

Há 110 anos, nascia na Argentina, o artista plástico Carybé (Hector Julio Parich Bernabó), que morreu no dia 2 de outubro de 1997.

Há 110 anos, nascia em Pernambuco, o professor Sanelva Vasconcelos, que morreu no dia 26 de agosto de 1990.

Há 90 anos, acontecia o voo inaugural saindo do Recife, do hidroavião da Panair.

Há 75 anos, os empresários Lineu Gomes e Vicente Mammana Neto fundava a Real Aerovias.

Há 75 anos, nascia na Argentina, o cineasta Hector Babenco, que morreu no dia 2 de outubro de 1977.

Leonardo Dantas Silva e Capiba no Clube Português (Foto: Divulgação)

Há 35 anos, acontecia no Clube Português, o IX Baile da Saudade, coordenado por Leonardo Dantas Silva. A animação ficou por conta das Orquestras de José Menezes e Edson Rodrigues e do cantor Claudionor Germano.