Fernando Machado

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Crise na Segurança V

A nota de esclarecimento divulgada pelo Comando da PMPE, com a assinatura de parte dos 26 coronéis da corporação, apesar de reproduzir as reivindicações contidas no ofício que o comandante José Lopes não conseguiu entregar diretamente ao governador Eduardo Campos, contém algumas loas ao Governo do Estado, citando suas principais realizações.

Só esqueceu-se de dizer que neste governo não foi realizado nenhum vestibular para a Academia de Polícia Militar do Paudalho, que deve fechar suas portas em dezembro por falta de alunos. Aliás, a outrora Academia, que recebeu essa denominação histórica na época em era comandada pelo coronel Sebastião Rufino, hoje deputado estadual, tem agora o “pomposo” nome de Cemata. Realmente, uma pessoa de bom senso “se mata” quando toma conhecimento dessa heresia institucional.

Em tempo, os coronéis Elisio Viana e Eduardo Fonseca (estavam de férias e viajando), Aldo Nascimento e Paulo Cabral (estavam em Brasília a serviço da SDS), o chefe do Estado Maior Tavares Lira (que tem cargo comissionado alegou doença), os que exercem cargos comissionados como o comandante da Academia José Carlos Silva, Romero Paiva e Sérgio Viana, estes últimos a disposição da SDS, não assinaram o documento.

Crise da Segurança (III)

O nome do coronel reserva(Exército) Fernando Pessoa, que comandou a Polícia Militar no segundo Governo Arraes, está sendo lembrado como um possível substituto do secretário de Defesa Social, Servilho Paiva, cuja permanência no cargo se tornou insustentável depois que foi sumariamente excluído das negociações salariais entre governo e policiais militares, por ordem
do governador Eduardo Campos.

Fernando Pessoa, que atualmente reside em João Pessoa, tinha carta branca do governador Miguel Arraes, com quem despachava diretamente, pois na época não existia a famigerada Secretaria de Defesa Social. Ele adquiriu novas viaturas, equipou os destacamentos do Estado, libertando os PMs da dependência de prefeitos, fez cumprir as leis e regulamentos da corporação, acabando com os apadrinhados e os chamados peixes, além de ter livrado a PMPE das ingerências dos políticos.

Talvez por isso ele tenha saído do comando da PMPE em 1989, juntamente com o general Evilásio Gondim, então secretário de Segurança Pública, tão logo a Constituição Estadual foi promulgada, pois os deputados transformaram os cargos de comandante da PMPE e de secretário de Segurança Pública em privativos de integrantes desses órgãos.

Crise na Segurança

O fosso institucional entre as polícias militar e civil se tornou mais largo e mais profundo depois do puxão de orelhas que o governador deu nos coronéis e nos comandantes dos batalhões da Polícia Militar, sexta-feira, durante solenidade de sanção do projeto que concede bônus anuais em dinheiro para os policiais, de acordo com a redução dos índices de homicídios, por conta dos aplausos dos delegados de polícia a cada estocada que Eduardo Campos dava nos militares.

Os coronéis saíram cabisbaixos, constrangidos e envergonhados do palácio e muitos não escondiam a revolta pelo fato de se consideraram enganados pela Secretaria de Defesa Social, pois teriam sido chamados para uma reunião com o governador, quando, na realidade, não havia reunião alguma, e sim uma solenidade para sanção de uma lei, com uma claque (termo utilizado na televisão para designar o grupo de pessoas encarregadas de aplaudir as cenas) composta de delegados.

Esse fosso dificilmente será diminuído, mesmo que o Governo reduza a diferença salarial entre as duas instituições. A crise se tornou pública com a divulgação das tabelas de salários, com os policiais civis ganhando o dobro dos PMs, desequilíbrio percebido nos salários de soldado a coronel e de agente a delegado. Esse tratamento salarial diferenciado compromete seriamente o trabalho de integração que o governo insiste em desenvolver entre as duas corporações policiais e o Corpo de Bombeiros.

Cópia do documento redigido pelos coronéis e endereçado ao comandante geral propondo a equiparação salarial não foi recebido pelo governador, que teria mandado entregar o ofício ao secretário Servilho Paiva, e isso frustrou mais ainda o comandante da PM, que, segundo fontes da corporação, vem enfrentando dificuldades no relacionamento com o secretário, tanto que tentou falar diretamente com o governador, mas não foi ouvido.

Fontes palaciandas dizem que depois da solenidade no Salão das Bandeiras, o governador chamou o comandante José Lopes ao gabinete para dizer-lhe que ele é o comandante e tinha que usar toda a sua autoridade para conter a tropa e punir os insubordinados. Os dois estavam em pé e enquanto falava, o governador tocava o peitoral do comandante com o polegar da mão direita. O comandante entrou e saiu calado.

Crise na PMPE e CBPE?

Tem cheiro de pólvora nos arredores do Quartel do Derby. Na tarde de ontem, o governador Eduardo Campos anunciou no Palácio do Campo das Princesas, um prêmio (Policia Militar e a Policia Civil), para quem colaborar mais com a redução dos índices de violência. Na plateia, estavam delegados e oficiais da Policia Militar de Pernambuco e do Corpo de Bombeiros.

Depois de ter tomado conhecimento que um grupo de cerca de 20 coronéis assinaram um documento solidarizando-se com o comandante José Lopes, que está fazendo internamente cobranças por melhorias nos salários da tropa, o chefe do executivo pernambucano mandou um duro recado aos auxiliares.

“Quem quiser ficar comigo, fique. Quem quiser sair, que saia agora”, desafiou. Beneficiados com aumento de até 42%, os delegados teriam aplaudido. Já os oficiais, teriam saído cabisbaixos. Governador não esqueça de 1996, quando o governador era seu avô Miguel Arraes e 2000, quando o governador era Roberto Magalhães. Qualquer descuido pode ser fatal.