Fernando Machado

Blog

Tag poema

Réquiem para Emília Correia Lima

Emília em traje de noite e de banho (Fotos: O Cruzeiro)

Emília Barreto Corrêa Lima nasceu em Sobral, Ceará, no dia 10 de abril de 1934 e faleceu ontem no Rio de Janeiro, era viúva do major do Exercito e engenheiro pernambucano Wilson Santa Cruz Caldas. No dia 25 de junho de 1955 foi eleita Miss Brasil de 1955, realizado no Hotel Quitandinha em Petrópolis, no Rio de Janeiro, sendo coroada pela Miss Brasil de 1954, a baiana Martha Rocha.

Ingrid Schmidt, Anette Stone, Martha Rocha, Emilia Correa Lima, Ethel Chiaroni e Gilda Medeiros (Foto: O Cruzeiro)

Participou do Miss Universo de 1955, que aconteceu em Long Beach, no dia 22 de julho, e teve como vencedora a sueca Hillevi Rombin (1933/1996) e ficando no TOP 15. Emilia foi um das misses Brasil mais discretas, vivia para a família. Tinha o costume de comparecer apenas a festas de beneficência, recusando-se a cobrar pela presença. Colaborou muito com a obra de Eunice Weaver que cuidava com os portadores do Mal de Hansen.

Desfilando em Long Beach (Foto: O Cruzeiro)

Em 25 de agosto de 1955, Emilia Corrêa Lima veio ao Recife para ser madrinha da turma de Aspirantes do CPOR. O primeiro lugar foi o aspirante Edgar Thomas Teixeira. Casou-se em 15 de agosto de 1956, com o pernambucano Wilson de Santa Cruz Caldas, na Matriz do Sagrado Coração, em Fortaleza, no Ceará. Teve três filhos: NélsonMarília e Emilinha. Era avó materna do ator Eduardo Caldas, filho de Amelinha e Robertinho do Recife.

Emilia Correa Lima no Top 15 do Miss Universo (Foto: O Cruzeiro)

Quando veio morar no Rio de Janeiro, Emília Correa Lima de Santa Cruz Caldas construiu duas creches em duas comunidades cariocas: Andorinha, na Restinga, e Pequena Obra do Presépio, no Cantagalo. Não esquecer que ela era professora na sua cidade natal, e foi homenageada com um poema por Rachel de Queiroz. Entre outras coisas escreveu a escritora cearense: “Se na América não lhe derem o título máximo, é porque os cegos são eles”.

Emília e Wilson Santa Cruz Caldas na noite do sim (Foto: O Cruzeiro)

Réquiem para Sônia Gonçalves de Lima

Dona Honorina entre os filhos Clausius e Sônia (Foto: Acervo da família)

O Recife amanheceu, hoje, cinzento, uma chuvinha timidamente caiu e eu não entendi, o porquê. Depois que sol surgiu veio a notícia dada pelo sobrinho neto Ugo. “Fernando sua grande amiga faleceu hoje (ontem), às 6h”. Fiquei sem ação. Ela foi uma das mais íntimas amigas que consegui fazer no tempo do curso de jornalismo na Unicap. Estou me referindo à Sônia Gonçalves de Lima.

Sonia coma irmã  Clarissa e o amigo Wellington Moraes, no Bal Masqué de 1963 (Foto: Acervo da Família)

Era formada em Direito pela UFPE, estudou Jornalismo na UNICAP e era uma poetisa de mão cheia. “Deus/ Dai-me / Três dedos de prosa / E um minuto de paz”, escreveu ela no livro de poemas Cheiros. Do livro (Re) Nascer, eu pincei este trecho: “Sem sentir fui retirada /Da concha onde me escondia / E pude então (re) descobrir / O (velho) novo mundo ao meu redor”.

Sonia diante do retrato do seu, Oswaldo Gonçalves de Lima (Foto: Divugação)

Sônia era filha do cientista Oswaldo Gonçalves de Lima e a primeira arquiteta de Pernambuco Honorina Lima. Era uma pessoa maravilhosa, uma amiga de todos os momentos. Nos momentos mais difíceis da minha vida ela esteve ao meu lado. Recordo das noites de sextas-feiras que a gente ia para o Pátio de São Pedro, quando terminava as aulas. E agora Sônia, que será de mim?

Thereza Magalhães, Sonia, Leonardo Dantas Silva e Tereza Halliday (Foto: Acervo da Família)

Nos anos 80 escreveu esse poema: “Procura-se a ternura / E a afetividade do mundo / Se aceita ternura usada / E em estado primitivo / A afetividade latente / E a superficialidade / De preferência o conjunto / Afeto-ternura / Procura-se incessantemente, / Alucinadamente, dia e noite / Humildemente, se aceita doações / Em gestos e palavras”. Encerro com verso do seu livro Temas. “Os mortos falam / Não como os vivos / Os vivos ouvem / Não como os mortos”.

Sônia na foto oficial de conclusão de Direito na UFPE (Foto: Acervo da Família)

Ana de Ferro: A Rainha dos Tanoeiros

Ana de Ferro, A Rainha dos Tanoeiros do Recife que entra em cartaz no teatro Marco Camarotti/SESC Santo Amaro na próxima terça-feira, às 20h, conta o romance entre o governador de Pernambuco durante o Brasil holandês e uma cortesã no cais do porto do Recife. É fato que narra os amores impossíveis da boemia do século XVII. A peça fica em cartaz até o dia 6 de setembro, sempre nas terças e quartas às 20h.

Os atores João Arthur e Telma Ratta (Foto: Emanuel David d’Lucard)

Inspirado no poema de Vital Correia Araújo e em pesquisas do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, a carioca Miriam Halfim criou um texto histórico com lampejos de ficção apresentando personagens reais em situações possíveis de terem acontecido. A encenação é do pernambucano Emanuel David D’ Lúcard que busca criar uma ponte entre os séculos XVII e XXI, elencando perspectivas sobre gênero, religião e racismo.

Patrícia Assunção e João Neto (Foto: Emanuel David d’Lucard)

Disposto numa forma de passarela, a direção insere o público na cena na busca de uma reflexão social. Separando homens e mulheres para conseguir tal feito. Desde sua chegada ao Recife, Ana de Ferro causava alvoroço nas normas da colônia, quando vem da Europa travestida de homem. Na capital pernambucana compra Zambi, um escravo, mas logo o declara amigo.

Euclides Farias e Telma Ratta (Foto: Emanuel David d’Lucard)

Ana de Ferro forma uma parceria com outra cortesã, Maria Cabelo de Fogo, e abre um dos bordéis mais frequentados na Rua dos Tanoeiros. Por um ato de racismo, entre Zambi e o mestre do presídio, Maurício de Nassau vive uma apaixonante e breve história de amor com Ana de Ferro. No elenco temos Cláudia Alves, Euclides Farias, Geraldo Cosmo, João Arthur, João Neto, Patrícia Assunção, Pedro Dias e Telma Ratta.

Fatos Diversos

Carlos Eduardo Amaral compôs esta musica, A Praia sobre um poema de Carlos Pena Filho, de várias páginas de partitura, e dedicou a Tânia Carneiro Leão. O violinista polonês Jerzy Milewski gostou muito da obra.

A Organização Brasileira de Mulheres Empresárias, leia-se Adelina Alcântara Machado, Presidente Nacional, e a Federação Brasileira de Colunistas Sociais promovem hoje, às 10h, na Assembléia Legislativa de São Paulo o III Congresso Nacional da OBME. Na ocasião teremos a posse de Ovadia Saadia como presidente da Federação.

  • 1 2