Fernando Machado

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Anotações do Cotidiano

O Recife recebe domingo o CISM Day Run – Corrida da Paz 2017.  O evento que acontece desde 2006, consiste na organização de uma jornada esportiva, sem fins competitivos (corrida ou caminhada). No Brasil o evento foi denominado Corrida da Paz e é realizado anualmente, tendo por objetivo promover a integração das Forças Armadas com a sociedade civil por intermédio do esporte. A largada é às 8h do Parque Dona Lindu e terá 47 kms.

O lirismo do Carnaval de Pernambuco pede passagem amanhã, durante o projeto Música no Palácio. O músico João Paulo Albertim apresentará o número Frevando com o Cavaquinho. A apresentação será realizada às 10h, no Palácio do Campo das Princesas, e contará, ainda, com o bandolinista Marco César e a voz de Valéria Moraes, integrante do Coral Edgar Moraes. A entrada é gratuita.

Margareth Zimmmerle, do Projeto Encontro, em parceria com o Grupo Yalu, realizam hoje às 16h, o primeiro arrastão inclusivo de maracatu pelas ruas do Recife Antigo. A concentração acontece na Rua da Moeda. O objetivo é reunir foliões com e sem deficiência para desmistificar preconceitos e mostrar à sociedade que todos podem brincar juntos, sem diferença.

O lirismo tocou em mim

O Marco Zero reviveu segunda-feira o maior espetáculo do Carnaval de Pernambuco. Estamos nos referindo ao Encontro dos Blocos de Pau e Corda. É o momento do desfile da realeza dos que fazem o lirismo do nosso Carnaval. No Marco Zero um coral formado por cerca de 30 mil vozes gritam bem alto “Que o Recife tem / O Carnaval melhor do meu Brasil”. É lindo demais!

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Jane Emirce de Melo, Melissa Albuquerque, o filho Nilo, Maestro Spok (homenageado) e Carmen Soares (Foto: Fernando Machado)

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Componentes do Bloco das Flores (Foto: Fernando Machado)

E quando a gente ouve “Felinto, Pedro Salgado, / Guilherme, Fenelon / Cadê teus blocos famosos? / Bloco das Flores, Andaluzas, / Pirilampos, Apois Fum, / Dos Carnavais saudosos”, parece que a gente sente Nelson Ferreira, Capiba, Edgard Moraes, João Santiago, Luiz Boquinha, Romero Amorim, Sebastião Lopes, Raul Moraes, Luiz Bandeira, José Menezes, Levino Ferreira, os Irmãos Valença e Arthur Lima Cavalcanti, no palco.

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Zenaide Araújo do Bloco das Flores (Foto: Fernando Machado)

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As pastoras do Bloco Compositores e Foliões (Foto: Fernando Machado)

O primeiro bloco a subir ao palco foi o Flor da Lira de Olinda, e na sequencia Blocos das Ilusões, Com Você no Coração, Madeiras do Rosarinho, Confetes e Serpentina, Cordas e Retalhos, e Flor do Eucalipto e neles todos na apresentação cantaram “Vem conhecer o que é harmonia / Nesta canção / O Inocentes apresenta um lindo / Panorama de folião”, ou “Quem conheceu Sebastião / De paletó na mão / E aquele chapéu / Por certo está comigo crendo / Que ele está fazendo carnaval no céu”.

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Socorrinho Cardoso, Lúcia Oliveira e Elisa Braga de Compositores e Foliões (Foto: Fernando Machado)

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Dianna  e sua mãe Elza Barros Lins do Bloco Eu Quero é Mais (Foto: Fernando Machado)

De repente surge o mais antigo o Bloco das Flores, com a incansável Jane Emirce de Melo, jogando flores nos foliões. E coral canta “Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes / Camponeses, Apôis Fum / e o Bloco Um Dia Só / Os Corações Futuristas, Bobos em Folia / Pirilampos de Tejipió / A Flor da Magnólia / Lira do Charmion, Sem Rival / Jacarandá, a Madeira da Fé / Crisântemos Se Tem Bote e  Um Dia de Carnaval”.

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As passistas do Um Bloco em Poesia (Foto: Fernando Machado)

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Heleno Ramalho e duas pastoras do Um Bloco em Poesia (Foto: Fernando Machado)

E como num passe de mágica entra Um Bloco em Poesia repassando Edgard Moraes: “A dor de uma saudade / Vive sempre em meu coração / Ao relembrar alguém que partiu / Deixando a recordação, nunca mais… / Hão de voltar os tempos / Felizes que passei em outros carnavais. / Cantar, oh! cantar! / É um bem que dos céus nos vem. / Se algumas vezes nos faz chorar / Ante os revezes nos faz rir também. / Cantar, oh! cantar! / Com expressão de uma emoção / Que nasce d’alma e vem dizer ao coração / Que a vida é uma canção.”

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Cid Cavalcanti, Cassio Maia Duarte e Adriano Pereira de O Bonde (Foto: Fernando Machado)

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Josi e  Mauricio Claudino de Oliveira de O Bonde (Foto: Fernando Machado)

E lá vem O Bonde desembarcando no Marco Zero usando o brilho de Led. E mandam para o publico Capiba com “Madeira do Rosarinho / Vem a cidade sua fama mostrar / E traz com seu pessoal / Seu estandarte tão original / Não vem pra fazer barulho / Vem só dizer… e com satisfação / Queiram ou não queiram os juízes / O nosso bloco é de fato campeão / E se aqui estamos, cantando esta canção / Viemos defender a nossa tradição / E dizer bem alto que a injustiça dói / Nós somos madeira de lei que cupim não rói.”

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Claudia e Felipe Cabral de Melo do Bloco da Saudade (Foto: Fernando Machado)

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Uma ala do Bloco da Saudade (Foto: Fernando Machado)

E agora quem vem? Aquele que completou 40 anos e reacendeu os seguidores pelos Blocos Líricos. Claro que é o Bloco da Saudade. E para delírio dos foliões incendeiam o palco com Aldemar Paiva e José Menezes: “Digam o que quiser / Tu és boneca / Brinquedo / Do meu coração / Fale quem quiser / És a boneca / De olhos cor de sonho / Vestida de ilusão / És a boneca bonita / De tranças compridas / Olhando prô chão… / És a boneca adorada / Da loja encantada / Do meu coração”.

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As pastoras do Bloco Batutas de São José (Foto: Fernando Machado)

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Os acendedores de lampiões do Batutas de São José (Foto: Fernando Machado)

E ao partir o Bloco da Saudade, com suas fantasias lindas remetendo aos pierrôs e colombinas, nos deixa com João Santiago “Adeus, chegou a hora de partir / Adeus, é madrugada vamos recolher / Agora é recordar amores / E a tristeza esquecer / A vida é amor, sorriso, esplendor / Razão de todo bem querer / Se a saudade um dia chegar / Nunca a tristeza irá encontrar / Só alegria, encontra em mim / A vida é folia, sem fim.”

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A diretoria do Batutas de São José (Foto: Fernando Machado)

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As pastoras do Pierrot de São José (Foto: Fernando Machado)

E encerro meu amor aos líricos com o Bloco Batutas de São José, meu outro xodó, fundado em 5 de junho de 1932. Apresentaram três musicas, cada uma mais linda do que a outra, mas pincei esta de Álvaro Alvim “Não deixem morrer Batutas / Não deixem Batutas morrer / Batutas tem um passado de lutas / Viva Batutas, Batutas vai vencer! / Que lindo bloco / Que lindo é / Nosso Batutas de São José / Tem tradição, tem glória / Tem história pra valer / Não deixem Batutas morrer.”

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O flabelo do bloco Boêmios da Boa Vista (Foto: Fernando Machado)

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A passista da Flor da Lira     Luiz Alberto Ferreira e  Sônia Aroucha do Bloco da Saudade (Fotos: Fernando Machado)

E deixei o Marco Zero como um folião solitário resmungando baixinho assim como João Santiago: “Vou relembrar o passado / Do meu Carnaval de fervor / Neste Recife afamado / De blocos forjados / De cor e esplendor / Na Rua da Imperatriz / Eu era muito feliz / Vendo o bloco desfilar / Escuta Apolônio o que vou relembrar / Os Camponeses, Camelo e Pavão / Bobos em Folia, do Sebastião, / Também For da Lira com seus violões / Impressionava com suas canções.”

Um por do sol com lirismo

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O cortejo dos blocos liricos rumando para o polo do Almirante Barroso (Fotos: Fernando Machado)

Domingo o por do sol da Rua da Aurora foi mais bonito ainda. É que aconteceu o Aurora dos Carnavais, reunindo 28 blocos líricos. É um movimento que ainda não conseguiram acabar, mas aos poucos os depredares do autentico carnaval de Rua do Recife vão conseguindo. É importante que nós pernambucanos não deixem acontecer o ocaso dos blocos líricos. Até a lua cheia estava lá testemunhando aquele encontro de verdadeira poesia.

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Enquanto houver um bloco lirico o Recife será o melhor carnaval do mundo

E esse momento sem igual se deve a Romero Amorim, que mesmo doente, estava lá como faz há 13 anos. E claro que enaquanto seguia para a Rua da Aurora cantarolava a música do compositor Edgard Moraes, Valores do Passado que mais tarde seria entoado por um coral de mais de duas mil vozes, que estavam diante do palco montado à frente do Clube Almirante Barroso.

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Dona Irene Revoredo uma horoina do lirismo. Não é uma fofa?

“Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes, Camponeses, Apôis Fum e o Vloco Um dia Só / Os Corações Futuristas, Bobos em Folia, Pirilampos de Tijipió / A Flor da Magnólia / Lira do Charmion, Sem Rival, / Jacarandá, a Madeira da Fé / Crisântemos, Se tem Bote e Um dia de Carnaval”, assim cantava os componentes dos blocos à frente as flabelistas, numa coreografia que somente Sergei Diaguilev poderia ressaltar com seu talento.

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Romero Amorim um nome que a história vai guardar

Claro que não temos mais “Pavão Dourado, Camelo de Ouro Bebé / Os queridos Batutas da Boa Vista, / E os Turunas de São José / Príncipe dos Príncipes brilhou / Lira da Noite também vibrou”, porém temos ainda “o Bloco da Saudade, assim recorda tudo que passou”. No palco, com uma vista deslumbrante para o Rio Capibaribe, o apresentador, Sérgio Gusmão icom sua categoria chamava os homenageados da tarde o cantor Claudionor Germano, os maestros Fábio Cesar, Neneu Liberalquino e Marcos Barbosa.

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Os compositores homenageados Fábio Cesar, Neneu Liberalquino e Marcos Barbosa

Já passava dass 20 horas e os foliões continuam lá firmes ouvindos os blocos cantando bem alto Nelson Ferreira: “Adeus, adeus minha gente / Que já cantamos bastante / Recife adormecia / Ficava a sonhar / Ao som da triste melodia.” E quando deixei o Aurora dos Carnavais trazia comigo a imagem de Ricardo Amorim visivelmente emocionado e ouvi dona Irene Revoredo, 87 anos, vestida com uma comisa do Santa Cruz, cantando Getulo Cavalcanti “Que o Recife tem o Carnaval melhor do meu Brasil, ” de Getúlio Cavalcanti.

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Iracaira, Isis, Inajá e Valéria Moraes, além de Marta Salvany do Coral Edgard Moraes