Fernando Machado

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As sujas falando do mal lavado

As escolas campeãs dos desfiles do Rio de Janeiro trouxeram um enredo que elas mesmas não cumprem. A Beija Flor, por exemplo criticou a corrupção, esquecendo que o dono Anisio Abraão David é um contraventor condenado à 48 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

A Beija Flor e seu desfile enganador (Foto: Facebook)

A Paraíso do Tuiuti esqueceu que contratou muita gente sem carteira de trabalho (Foto: Ninja)

A segunda colocada, a Paraíso do Tuiuti contratou apenas três pessoas com carteira assinada durante todo o ano de 2017, na elaboração do Carnaval de 2018. Seu enredo critica a perda dos Direitos Trabalhistas. São as sujas falando do mal lavado. Nos bastidores do samba o comentário é este.

Kerry Wells: Miss Universo de 1972

A foto oficial das candidatas na piscina do Hilton (Foto: O Cruzeiro)

Hoje faz 45 anos, que acontecia no Cerromar Beach Hotel, em Dorado, Porto Rico, o concurso de Miss Universo de 1972. Participaram do concurso 61 candidatas. A vencedora foi Kerry Anne Wells, da Austrália e brasileira Rejane Vieira Costa ficava no segundo lugar. O apresentador foi Bob Barker. A comissão julgadora foi formada por Edilson Cid Varela, Mapita Cortez, Kiyoshi Hara, Miss Universo de 1967 Sylvia Hitchcock, Kurt Jurgen, Jean-Louis Lindican, Lynn Redgrave, Line Renaud, Arnold Scaasi, Fred Williamson e Earl Wilson.

As misses de vestidos (Foto: Manchete)

Depois dos desfiles de traje típico, maiô e vestido de noite Bob Barker informou o Top 12 Jennifer McAdam (Inglaterra), Rejane Vieira Costa (Brasil), Harumi Maeda (Japão), Maria Antonieta Cámpoli (Venezuela), Kerry Anne Wells (Austrália), Carmen Amelia Ampuero (Peru), Anne-Marie Roger (Bélgica), Tanya Wilson (Estados Unidos), Ilana Goren (Israel), Heidemarie Weber (Alemanha), Armi Barbara Crespo (Filipinas) e Roopa Satyan (Índia).

Bob Barker entre as misses no palco (Foto: O Cruzeiro)

No Top 5 chegaram Kerry Anne Wells (Austrália), Jennifer McAdam (Inglaterra), Maria Antonieta Cámpoli (Venezuela), Ilana Goren (Israel) e Rejane Vieira Costa (Brasil). Na seqüência o resultado final: em 5º lugar ficou Jennifer McAdam da Inglaterra, em 4º lugar Ilana Goren de Israel, em 3º lugar Maria Antonieta Cámpoli da Venezuela, em 2º lugar Rejane Vieira Costa do Brasil e em 1º lugar Kerry Anne Wells da Australia.

Brasil, Japão, Venezuela, Austrália, Peru, Bélgica, EUA, Israel, Alemanha e Filipinas (Foto: Manchete)

As misses acenam para as câmaras no ultimo andar do Hotel Hilton (Foto: Manchete)

O traje típico mais bonito foi Carmen Amélia Ampuero Mosquetti do Peru; a mais fotogênica foi Anne Marie Roger da Bélgica; e a Miss Simpatia foi Ombayi Mukuta do Zaire. Informação importante: A gaúcha Rejane Vieira Costa virou atriz com o nome de Rejane Goulart, nasceu em 15 de novembro de 1954 e faleceu em 26 de dezembro de 2013, no Rio Grande Sul.

Jennifer, Rejane, Kerry, Maria Antoniete e Ilana (Foto: Manchete)

Participaram do concurso: Norma Elena Dudik (Argentina), Ivonne Dirksz (Aruba), Kerry Anne Wells (Austrália), Uschi Pacher (Áustria), Deborah Jane Taylor (Bahamas), Anne-Marie Roger (Bélgica), Rejane Vieira Costa (Brasil), Bonny Brady (Canadá), Consuelo Fernández de Olivares (Chile), Maria Luisa Lignarolo Martinez-Aparicio (Colômbia), Vicki Ross Gonzalez (Costa Rica), Ingrid Prade (Curaçao), Marianne Schmidt (Dinamarca), Ivonne Butler (Republica Dominicana), Susana Castro Jaramillo (Equador), Ruth Eugenia Romero Ramirez (El Salador), Jennifer Mary McAdam (Inglaterra), Maj-Len Eriksson (Finlandia), Claudine Cassereau (França), Heidemarie Renate Weber (Alemanha).

Rejane Vieira Costa de traje de noite e de banho (Fotos: O Cruzeiro)

Ainda Nansy Kapetanaki (Grécia), Patrícia Alavarez (Guam), Jenny Tem Wolde (Holanda), Rita Leung (Hong Kong), Maria Kristin Jóhannesdóttir (Islandia), Roopa Satyan (Índia), Wijdan Burhan El-Deen Sulyman (Iraque), Maree McGlinchey (Irlanda), Ilana Gore (Israel), Isabela Specia (Itália), Grace Marilyn Wright (Jamaica), Harumi Maeda (Japão), Park Yeon-Joo (Coréia), Anita Heck (Luxemburgo), Helen Looi (Malasia), Doris Abdila (Malta), Maria Del Carmen Orozco Quibriera (México), Kristine Dayle Allen (Nova Zelândia), Liv Hanche Olsen (Noruega), Maria Stela Volpe Martinez (Paraguai).

Miss Universo de 1972, Kerry Anne Wells  de maiô e já coroada (Fotos: O Cruzeiro)

E finalmente Carmen Amelia Ampuero Mosquetti (Peru), Armi Barbara Quiray Crespo (Filipinas), Iris Maria Rosário dos Santos (Portugal), Bárbara Torres (Porto Rico), Elizabeth Joan Stevely (Escocia), Jacqueline Hong (Singapura), Maria Del Carmen Muñoz Castañon (Espanha), Carmen Cerna Muntslag (Suriname), Brit Maria Johansson (Suécia), Anneliese Weber (Suíça), Nipapat Sudsiri (Tailândia), Neslihan Sunay (Turquia), Cristina Moller (Uruguai), Tanya Wilson (Estados Unidos), Maria Antonieta Cámpoli Prisco (Venezuela), Carol Krieger (Ilha Virgens), Eileen Darroch (Pais de Gales) e Ombayi Mukuta (Zaire).

Jennifer, Rejane, Kerry Anne, Maria Antoniete e Ilana(Foto: Getty Images)

Miss Brasil de 1972

Hoje, faz 45 anos, que acontecia no Maracanãzinho, o concurso de Miss Brasil de 1972. Participaram do festival da beleza 26 candidatas. A vencedora foi Rejane Vieira Costa, Miss Rio Grande Sul, que foi coroada pela Miss Brasil de 1971, Eliane Parreira Guimarães. Em 2º lugar ficou Ângela Maria Favi (SP) que representou o Brasil no Miss Mundo, e em 3º Jane Vieira Macambira (GB), que representou o Brasil no Miss Internacional, também foi eleita Miss Simpatia. O show foi com Elza Soares, Beth Carvalho, Osmar Milito e o Quarteto Forma.

As candidatas desfilando na passarela (Foto: O Cruzeiro)

A comissão julgadora do Miss Brasil de 1972 (Foto: Manchete)

Rejane Vieira Costa nasceu no dia 15 de novembro de 1954 e faleceu no dia 26 de dezembro de 2013. Era vendedora de uma loja de sapatos quando foi convidada para ser Miss Pelotas. Ficou em segundo lugar no Miss Universo. Foi atriz da TV Globo nas novelas Ti, Ti, Ti, Felicidade, A Viagem, e Era Uma vez e cinema, quando atuou ao lado de Grande Otelo, no filme O Negrinho do Pastoreio. Casou com Rubens Goulart e Italo Granato. Deixou dois filhos Rodrigo e Julia.

Dois momentos da coroação: Eliane passando a faixa e a coroa para Rejane (Fotos: Manchete)

O júri foi presidido pelo Secretario de Turismo do GB, Rui Pereira da Silva e integrado pelos costureiros Marcilio Campos e Flávio Delgado, da modista Nicole de La Riviere, dos jornalistas Jorge Audi e Justino Martins, da Miss Brasil de 1958 Adalgisa Colombo, das senhoras Maria Cecília Mendonça Mello e Maria Helena Brito, Felinto Rodrigues Netto, José Eduardo de Mello, Jorge Ferreira, deputado gaucho Victor Facioni, e o ator Jece Valadão.

Rejane de traje típico e com as misses Ângela Favi e Jane Macambira (Fotos: Manchete)

Depois dos desfiles de traje típicos, vestidos e maiôs Catalina, o júri escolheu o Top 8: Maria Bayma Souza Keth (CE), Maria Gariglio (ES), Jane Vieira Macambira (GB), Hilma Nascimento (MG), Maria Madalena Jácome (PE), Rejane Vieira Costa (RS), Marlene Machado (SC) e Ângela Maria Favi (SP).  Em 5º lugar ficou Maria Garigilio, em 4º Maria Madalena Jácome, em 3º Jane Vieira Macambira, em 2º Ângela Maria Favi e em 1º Jane Vieira Costa.

Jane Macambira, Hilma Nascimento e Madalena Jácome (Fotos: Manchete)

Ana Maria do Rosário Lerner (Alagoas), Kátia Mara Houat (Amapá), Maria Suely Souza (Amazonas), Maria Adélia Junqueira (Bahia), Maria Bayma Souza (Ceará), Maria Célia Coelho Pereira (Distrito Federal), Maria Imaculada Gariglio (Espírito Santo), Maria Tereza Azevedo (Goiás), Jane Vieira Macambira (Guanabara), Fátima Elaine da Silva (Maranhão), Ivone de Barros (Mato Grosso), Hilma Nascimento (Minas Gerais).

Maria da Glória Carvalho, Miss Internacional de 1968; Rejane Vieira Costa e Lucia Tavares Petterle Miss Mundo de 1971 (Foto: Manchete)

Ainda Erinete Menezes Costa (Pará), Bernardete Fernandes Martins (Paraíba), Maria Dolores Peres Bordin (Paraná), Maria Madalena Jácome (Pernambuco), Carlota Maria de Carvalho (Piaui), Marli Pereira Carneiro (Rio de Janeiro), Tázia Bezerra de Sá (Rio Grande do Norte), Rejane Vieira Costa (Rio Grande do Sul), Kátia Fernanda Oliveira (Rondonia), Dacilda Socorro Amora (Roraima), Marlene Machado (Santa Catarina), Ângela Maria Favi (São Paulo), Jocenyr Monteiro Santos (Sergipe).

 

A inesquecível Ana Maria Guimarães 

Embora situado numa região de grande concentração de negros remanescentes da época da escravidão, Pernambuco só elegeu sua primeira miss negra 100 anos depois de promulgada a Lei Áurea. Em 1988 o concurso Miss Pernambuco de 1988 bateu o recorde nacional de jovens afro-descendentes que participaram numa mesma competição. Das 34 candidatas, 4 eram negras: Ana Maria Guimarães (Clube Rodoviário), Itamira Andrade (Grupo Teatral Além do Túnel), Waldênia de Souza Melo (Clube Pierrot de São José), e Solange Monteiro Melo (Sirinhaém).

A foto oficial das candidatas ao Miss Pernambuco de 1988 (Foto: Roberto Paixão)

Nem a Bahia ou até mesmo o antigo Estado da Guanabara, cujas populações são predominantemente de negros tinha atingido essa marca. Mas para chegar até o título, Ana Maria Guimarães teve de enfrentar muitos obstáculos, como encontrar um clube que apoiasse seu nome, derrubar o preconceito das agremiações que não a aceitaram pela cor de sua pele. O Clube Rodoviário de Pernambuco, cujos sócios eram funcionários do DER-PE, topou a parada e abraçou o seu nome.

Ana Maria Guimarães, Andrea Minelli, Aninha, Valeria Nielsen,  Denir Santos e Aninha (Fotos: Geraldo Guimarães)

Do alto dos seus 1m80 de altura, corpo longilíneo,  passarela impecável a deusa de ébano ganhou a simpatia unânime das candidatas, os aplausos da platéia que lotou o salão principal do Clube Internacional do Recife e os votos da comissão julgadora formada por pessoas de prestígio, alguns da aristocracia pernambucana. Todavia, ao ter seu nome anunciado como a nova Miss Pernambuco, ela sentiu na pele o que seus antepassados sofreram no pelourinho e nas senzalas. Da platéia surgiu em sua direção um copo com resto de bebida e pontas de cigarro.

Aninha desfilando pela última como Miss PE e Aninha desfilando para ser Miss PE-88 (Fotos: Geraldo Guimarães)

Com muita altivez e classe, ela continuou  seu desfile majestosamente com coroa, faixa, manto e cetro e foi ovacionada pelo público deixando constrangido o autor do ato racista. Aninha tinha experiência como manequim, pois fazia parte do casting dos desfiles da Ele e Ela Modas, e soube tirar de letra aquele momento de fobia à sua raça. Do Recife seguiu para disputar o Miss Brasil de 1988 em São Paulo onde chegou como uma das favoritas.

No quinteto Aninha já se destacava (Foto: Geraldo Guimarães)

Ana dividiu os flashes, os holofotes e a mídia com a Miss Bahia, Vanessa Blumenfeld Magalhães, uma loura de arrasar quarteirões, lindíssima e apontada como a nova Martha Rocha. No entanto o concurso de 1988 foi de muitos equívocos e desacertos motivados pela ausência de Sílvio Santos no comando, devido a uma doença nas cordas vocais. Sem ele, a competição trocou o Palácio das Convenções do Anhembi pelo acanhado auditório da TVS, na Vila Guilherme. A miss eleita não era a preferida.

Ana Maria Guimarães no Bal Masqué e no Baile Municipal de 1989 (Fotos: Divulgação)

Primeiro anunciaram as 12 semifinalistas com a pernambucana incluída. Depois chamaram apenas três sem ela. Na época circularam nos bastidores boatos de que a mãe da Miss Bahia ficou indignada com o segundo lugar de sua filha e que desabafou que naquele concurso só tinham duas candidatas para ganhar, as misses Bahia ou de Pernambuco. Outro bafon que até hoje circula no mundo dos missólogos é que uma das juradas teria dado uma nota baixa a pernambucana evitando assim que outra negra fosse eleita Miss Brasil.

A senhora Ana Regina Rique e a Miss Pernambuco de 1988, Ana Maria Guimarães (Foto: Geraldo Guimarães)

Daí da deusa de ébano de Pernambuco ficou fora do Top 3. Em tempo: o júri foi composto por José Victor Oliva, Jassa, Deise Nunes, César Filho, Chico Recarey e Joyce Kermann. Outra controvérsia: as notas não foram dadas ao vivo como ocorria nas edições anteriores. Após o Miss Brasil Ana Maria Guimarães fez vários editoriais de moda para revistas nacionais e internacionais e desfilou no circuito São Paulo-Nova Iorque-Paris-Milão-Tóquio. Ela concluiu o curso de Psicologia, casou com o mesmo namorado da adolescência, atualmente reside em Natal, no Rio Grande Norte e continua sendo a única negra Miss Pernambuco. (Texto: Muciolo Ferreira)