Cristo não é ofensa

Ao contestar uma nota publicada no Jornal do Commercio sobre a retirada do Crucifixo do gabinete de trabalho do comandante, a Polícia Militar diz que a “ostentação de símbolos religiosos é uma ofensa à liberdade de crença, pois o estado é laico”. Se é assim, o coronel Tavares Lira não deveria, na mesma nota, ter garantido a realização da Missa do Galo na frente do Quartel do Derby. Afinal de contas, prevalecendo o caráter laicizante da atual administração da PMPE, as celebrações religiosas devem acontecer nos templos respectivos e não na frente de quartéis laicos.

Da mesma forma que ele retirou o Crucifixo por considerá-lo uma ofensa, quebrando uma tradição que começou em 1825, com a criação da PMPE, corre-se o risco de ele também jogar no lixo as tradições religiosas da Corporação representadas por 62 anos de Missa do Galo e 14 anos de Culto Natalino. Tudo em nome dessa laicificação.

O estado brasileiro é laico porque não tem religião oficial nem é uma teocracia, mas a própria Constituição, numa espécie de feliz paradoxo, assegura a inviolabilidade de consciência e de crença, garantindo o livre exercício dos cultos religiosos, além de assegurar a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva. É simples. Tá lá no Artigo 5º de nossa Constituição.