Fernando Machado

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Categoria Carnaval

Paulo Carvalho no Bloco da Saudade

Amilcar Barbosa e sua esposa Izabel Bezerra (Foto: Fernando Machado)

A presidente do Bloco da Saudade, Isabel Bezerra, anunciou, ontem, que o figurinista Paulo Carvalho é o novo carnavalesco da entidade. Não será uma tarefa fácil substituir Carlos Ivan de Melo (1942/2021) que foi o primeiro figurinista a desenhar e confeccionar as belas  fantasias do Bloco desde 1995. Paulo já vai elaborar as fantasias do Bloco da Saudade do Carnaval de 2023.

O figurinista Paulo Carvalho (Foto: Fernando Machado)

Paulo Carvalho começou a atuar na moda em 1969, na Sady Tecidos. Ganhou o Premio Manchete pelo camarote mais bonito do Baile Municipal de 1975, sendo capa das Revistas Manchete e Fatos e Fotos. No ano seguinte ganhou a Agulha de Ouro, num desfile na Casa da Cultura, promovido pela primeira dama de Pernambuco Margarida Moura Cavalcanti.

Carlos Ivan de Melo (Foto: Bloco da Saudade)

Praça Capiba e o Panteão do Frevo

Patrícia e Silvio Amorim, a Banda de Frevo e George Emílio Gonçalves Bastos (Foto: Divulgação)

Sexta-feira, tivemos a aposição do memorial da Praça Capiba, e do Panteão do Frevo. O espaço fica localizado na Rua Alberto Paiva, no trecho entre a Avenida Rosa e Silva e a Rua do Futuro, no bairro dos Aflitos. Essa praça foi uma reivindicação da cerimonialista Rose Paes Barreto ao então vereador Roberto Andrade. A iniciativa da cerimônia foi do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, no projeto História nas Paredes.

Silvio Amorim, Leonardo Dantas e George Emílio diante do Memorial (Foto: Divulgação)

O evento veio rememorar os fundadores, compositores, músicos, cantores, carnavalescos, cronistas, passistas, blocos, instituições e frevistas, que criaram, modelaram e, até hoje, fazem e promovem o Frevo na cultura brasileira. Na ocasião tivemos a apresentação de uma banda de frevo, que executou músicas do imortal Capiba. Entre as presenças destacamos Silvio Amorim e sua esposa Patrícia Leonardo Dantas Silva e George Emílio Bastos Gonçalves.

Bandinha e George Emilio (Foto: Divulgação)

Encontro de Blocos

Não fosse a Pandemia e hoje teríamos o Encontro de Blocos, no Marco Zero. Então vamos “Vou relembrar o passado / Do meu carnaval de fervor / Neste Recife afamado / De blocos forjados / de cor e esplendor / Na rua da Imperatriz / Eu era muito feliz, / Vendo o bloco desfilar”, de João Santiago. O Pierrô de São José sempre apresenta um desfile maravilhoso, com seus pastores vestidos à caráter.

Um time charmoso esse do Pierrô de São José (Foto: Fernando Machado)

Relembro o desfile de O Bonde, do Bloco da Saudade, como sempre lindo, cantando seu hino Valores do Passado de Edgard Moraes, “Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes, / Camponeses, Apois Fum e o Blco de Um Dia Só, / Os corações Futuristas, Bobos em Folia, / Pirilampos de Tejipió, / A Flor da Magnólia, / E o Bloco da Saudade assim recorda / Tudo que passou”.

A gloriosa flabelista Juliana de Araujo Lima do Bloco da Saudade (Foto: Fernando Machado)

Não esquecer o Flor do Eucalipto, que homenageou Chiquinha Gonzaga e a saldou cantando: “Ó abre alas / Que eu quero passar / Ó abre alas / Que eu quero passar / Eu sou da Lira / Não posso negar / Eu sou da Lira / Não posso negar / Ó abre alas / Que eu quero passar / Ó abre alas / Que eu quero passar / Rosa de Ouro / É que vai ganhar / Rosa de Ouro / É que vai ganhar”.

O Flor do Eucalipto homenageou Chiquinha Gonzaga (Foto: Fernando Machado)

E surge o Bloco em Poesia cantando Capiba: “Recife, cidade lendária / De pretas de engenho cheirando a bangüê / Recife de velhos sobrados, compridos, escuros / Faz gosto se ver / Recife teus lindos jardins / Recebem a brisa que vem do alto mar / Recife teu céu tão bonito / Tem noites de lua pra gente cantar / Recife de cantadores / Vivendo da glória, em pleno terreiro / Recife dos maracatus / Dos tempos distantes de Pedro I / Responde ao que eu vou perguntar: / Que é feito dos teus lampiões? / Onde outrora os boêmios.”

As pastoras e o pastor de Um Bloco em Poesia (Foto: Fernando Machado)

Depois sobe ao palco o Bloco Eu Quero é Mais entoando de Alex Caldas: “Nós somos da Pitombeira / Nós brincamos muito mais / Se a turma não saísse / Não havia carnaval / Bate-bate com doce eu também quero / Também quero, também quero / Bate-bate com doce eu também quero / Também quero, também quero / Pitombeira só tem dez letras / E uma significação / Pitomba é fruta fresca / Se compra por qualquer tostão / Pitomba é fruta besta / Se compra por qualquer tostão”.

As pastoras do Eu Quero é Mais (Foto: Fernando Machado)

E por último o Bloco Flabelo Encantado que cantou Madeira que Cupim não Rói de Capiba: “Madeira do Rosarinho / Vem a cidade sua fama mostrar / E traz com seu pessoal / Seu estandarte tão original / Não vem pra fazer barulho / Vem só dizer… e com satisfação / Queiram ou não queiram os juízes / O nosso bloco é de fato campeão / E se aqui estamos, cantando esta canção / Viemos defender a nossa tradição / E dizer bem alto que a injustiça dói / Nós somos madeira de lei que cupim não rói”.

Lindas as pastoras do Flabelo Encantado (Foto: Fernando Machado)

Viva o Cordão do Bola Preta

Eu tinha um grande sonho assistir a saída do Cordão do Bola Preta, que sai pelas ruas do Rio de Janeiro, no Sábado Gordo. E somente consegui realizá-lo em março de 2017. E ele sai da Avenida Rio Branco e cantando “Quem não chora não mama / Segura meu bem a chupeta / Lugar quente é na cama / Ou então no Bola Preta / Vem pro Bola meu bem / Com alegria infernal / Todos são de coração / Todos são de coração / Foliões do carnaval (Sensacional!)”.

Caveirinha está do lado direito da porta estandarte (Foto: Portal do Cordão)

Uma multidão incalculável fazia peregrinação na frente e atrás dos quatro carros alegóricos. Nesse bloco já saíram Virginia Lane, Elisete Cardoso, Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira, Noel Rosa, Pixinguinha, Blecaute, para citar apenas estes nomes. Não esquecer que os travestis também marcam presença no Bola Preta. Muitas alas, principalmente as dos jovens, fantasiados fazem a beleza da agremiação. Muitos foliões, leia-se os travecos, trocam o estribilho do hino “quem não chora não mama / Segura meu bem a chupeta (genitália)”.

Esse quarteto causou na Avenida Rio Branco (Foto: Fernando Machado)

O Cordão da Bola Preta foi fundado em 13 de dezembro de 1918, na Rua da Gloria, 88, no Rio de Janeiro, por Álvaro Gomes de Oliveira (Caverinha) e Francisco Carlos Bricio, Francisco Brício Filho (Chico Brício), Eugênio Ferreira, João Torres e os três irmãos Jair e Joel Oliveira Roxo além de Arquimedes Guimarães. O nome surgiu porque Caverinha ao ver uma mulher linda de preto denominou o bloco com esse nome.

Os palhaços arrebentaram no Cordão do Bola Preta (Foto: Fernando Machado)

E para encerrar todos cantam Cidade Maravilhosa: “Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil / Berço do samba e de lindas canções / Que vivem n’alma da gente / És o altar dos nossos corações / Que cantam alegremente”. É lindo demais. No próximo ano quero fazer parte dos festejos os seus 100 anos.