Fernando Machado

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Bloco da Saudade ou da Felicidade?

Bloco da Saudade, cuja presidente é Isabel Bezerra, foi idealizado pelo compositor Edgard Moraes em seu frevo de bloco Valores do Passado e foi às ruas pela primeira vez em 24 de fevereiro de 1974, domingo de carnaval, por iniciativa do músico Antônio José Madureira e do jornalista Marcelo Temporal Varella com as finalidades principais de resgatar o carnaval de Blocos e o carnaval de Rua do Recife que, vivia naquela época, dos bailes nos clubes sociais.

A presidente Izabel Bezerra e o carnavalesco Paulo Carvalho (Foto: Fernando Machado)

Pois bem depois de um hiato de mais de dois anos, por conta da pandemia, aconteceu, sábado, em ritmo de sucesso de público, de animação e de felicidade, nos salões da AABB, a VI Vesperal do Bloco da Saudade. Lá quem reina é o frevo seja ele de rua ou de bloco. É uma festa clássica para quem tem bom gosto musical. Pois as festas do Bloco da Saudade recordam tudo que passou pelos carnavais do Recife. Os foliões capricham nas fantasias, na maioria dos antigos carnavais.

Felipe Cabral de Melo e Cláudia (Foto: Fernando Machado)

Os trabalhos foram abertos pelo Coral do Bloco e pela a Orquestra do Maestro Bozó interpretando o pout-pourri de frevo de bloco, começando por Relembrando o Passado de João Santiago, “Vou relembrar o passado / Do meu carnaval de fervor / Neste Recife afamado / De blocos forjados / De cor e esplendor / Na Rua da Imperatriz /Eu era muito feliz, / Vendo o bloco desfilar / Escuta Apolonio o que eu vou relembrar / Os Camponeses, Camelo e Pavão / Bobos em Folia do Sebastião / Também Flor da Lira com seus violões / Impressionava com suas canções”.

Keli Rosa e Carmen Towar (Foto: Fernando Machado)

Na seqüência chegam Aldemar Paiva e José Menezes com “Digam quem quiser, tu és boneca / Brinquedo do meu coração / Falem quem quiser, és a boneca / De olhos cor de sonho / Vestida de ilusão / És a boneca bonita / De trança comprida / Olhando pro chão / És a boneca dourada / Da loja encantada / Do meu coração”. E se encontram com Getúlio Cavalcanti que atacou Último Regresso: “Falam tanto que meu bloco está, / dando adeus pra nunca mais sair. / E depois que ele desfilar, / do seu povo vai se despedir. / Do regresso de não mais voltar, / suas pastoras vão pedir: / Não deixem não, que o bloco campeão, / guarde no peito a dor de não cantar. / Um bloco a mais é um sonho que se faz / o pastoril da vida singular. / É lindo ver o dia amanhecer”.

Maestro Duda e Mida (Foto: Fernando Machado)

Depois que o Coral parou para descansar a Orquestra do Maestro Lessa entrou com o hino do nosso Carnaval: Vassourinhas. E depois o publico vai à loucura com “Saudade, é isso que a gente sente / Saudade, é falta que faz a gente / Alguém que partiu / Alguém que morreu / Alguém que o coração não esqueceu / Podem tocar os clarins / As notas do prazer e da exaltação / Podem passar arlequins / Pierrots e colombinas no salão / Podem dançar e cantar / Não levam não, / A saudade do meu coração”, é exatamente nesse frevo de bloco de Aldemar Paiva que resume esse baile.

Rose e Getúlio Cavalcanti (Foto: Fernando Machado)

E Capiba poderia ficar ausente? Veio uma dose de “Madeira do Rosarinho / Vem a cidade sua fama mostrar / E traz com seu pessoal / Seu estandarte tão original / Não vem pra fazer barulho / Vem só dizer… e com satisfação / Queiram ou não queiram os juízes / O nosso bloco é de fato campeão”. E os foliões respondiam “E se aqui estamos, cantando esta canção / Viemos defender a nossa tradição / E dizer bem alto que a injustiça dói / Nós somos madeira de lei que cupim não rói”. Não faltaram musicas de Nelson Ferreira, Luiz Bandeira, Boquinha, Ely Madureira, Sebastião Lopes, Felinho, Heleno Ramalho, Irmãos Valença, Humberto Vieira, Diná, Fernando, Reinaldo e Valdemar de Oliveira.

Lucas Correia e a flabelista Marina Claudino (Foto: Fernando Machado)

Sempre gosto de ouvir Valores do Passado, de Edgard Moraes, o Hino do Bloco da Saudade. “Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes / Camponeses, Apôis Fum e o Bloco Um Dia Só / Os Corações Futuristas, Bobos em Folia / Pirilampos de Tejipió / A Flor da Magnólia / Lira do Charmion, Sem Rival / Jacarandá, a Madeira da Fé / Crisântemos Se Tem Bote e / Um Dia de Carnaval / Pavão Dourado, Camelo de Ouro e Bebé / Os Queridos Batutas da Boa Vista / E os Turunas de São José / Príncipe dos Príncipes brilhou / Lira da Noite também vibrou / E o Bloco da Saudade, assim recorda tudo que passou”.

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