Fernando Machado

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De Volta para o Passado

Há 110 anos, nascia em Pernambuco, o executivo Mario Amorim Dubeux, que morreu no dia 19 de setembro de 1992.

Há 100 anos, morria em Portugal, a pastora Jacinta Marto, que nasceu no dia 11 de março de 1910.

Helena Peixe, Ranusia Azevedo e Violeta Botelho (Foto: Acervo de Helena Peixe)

Há 60 anos, acontecia no Clube Português, a I Baile do Vassourinhas. A decoração foi de José Teixeira. Vieram do Rio o cronista Jean Pouchard do Diário Carioca e a Rainha das Atrizes Elizabeth Blair. Na categoria Luxo venceu Violeta Botelho com Maria Tereza, Rainha da França de Marcilio Campos. No 2º lugar ficou Maria Helena Peixe com Rainha de Sabá de Victor Moreira, e no 3º lugar Ranuzia Azevedo de Fada.

Há 60 anos, morria em Pernambuco, o poeta imortal da APL Mariano Lemos, que nasceu no dia 9 de maio de 1886.

Evandro de Castro Lima e Mucio Ctão (Fotos: Katarina Real / Diário da Manhã)

Há 55 anos, acontecia o V Baile Municipal do Recife, no Clube Português. Vieram do Rio Solange Dutra Novelli, Vanja Orico, Ilka Soares e Eva Vilma. As fantasias mais luxuosas foram a de Núcia Miranda com Rainha Cristina e de de Evandro de Castro Lima com Mauricio de Nassau. Em Originalidade venceu Mary Marques com Bumba Meu Boi. Na categoria Pernambucana venceu Mucio Catão com Papa Figo.

Há 50 anos, morria no Rio de Janeiro, o presidente Café Filho, que nasceu no dia 3 de março de 1899.

Há 45 anos, saia pela primeira vez o bloco Nóis Sofre, mas Nóis Goza.

Há 20 anos, morria em Pernambuco, a médica Mercês Cunha, que nasceu no dia 27 de janeiro de 1929.

Há 15 anos, morria nos Estados Unidos, a atriz Sandra Dee, que nasceu no dia 23 de abril de 1942.

Joana: Se Essa Marcha fosse Minha

Em qualquer parte do mundo, quando tocam os acordes da Marcha nº 1 de Vassourinhas, (Pamranranranranran!!!) é difícil alguém ficar parado ou não se lembrar de Pernambuco. Mas pouca gente sabe quem são os autores dessa música, considerada o hino do Carnaval de Pernambuco e o segundo hino do estado. Os livros contam que a música foi composta em 6 de janeiro de 1909, no subúrbio de Porto da Madeira, nos arredores de Beberibe, Cajueiro e Peixinhos.

O esquecido compositor Matias da Rocha (Foto: Divulgação)

Seus compositores são Matias da Rocha e Joana Batista que venderam os direitos autorais da música para o Clube Vassourinhas. Isso é quase tudo que se sabe. Sabe-se que ele foi um dos fundadores do Clube, tocava violão, era compositor. Joana era doméstica, teve três filhos com Amaro Vieira Ramos e morreu aos 74 anos (1952). A relação que tinha com Matias da Rocha não ficou definida. O certo é que eles nunca foram homenageados no Carnaval do Recife.

Joana Batista a parceira de Matias (Foto: Divulgação)

A produtora Tactiana Braga, da B52 Desenvolvimento Cultural, está trabalhando na pesquisa sobre essa história, que será contada num documentário e está em busca de algum parente da dupla de compositores. “Como eles venderam os direitos da música para o Clube, a única pista que poderíamos seguir, se perde. Imaginamos que os possíveis herdeiros tenham se distanciado do ambiente carnavalesco. Talvez até nem saibam da importância dos seus antepassados para a música pernambucana, brasileira até”, arrisca Tactiana.

 

A equipe do documentário sobre Joana Batista (Foto: Divulgação)

A produção do documentário Joana Se Essa Marcha Fosse Minha – idealizada pelo jornalista Camerino Neto e que conta com pesquisa da também jornalista, Maíra Brandão – está fazendo uma campanha nas redes sociais para tentar descobrir esses parentes. Imagina-se que os filhos e netos dos dois estejam em algum lugar de Pernambuco. Se você conhece alguém que seja descendente de Matias da Rocha ou de Joana Batista Ramos e Amaro Vieira Ramos pode entrar em contato pelo email joanaeamarcha@gmail.com, ou nas redes sociais, pelo facebook e instagram /joanaeamarcha.

Viva o Frevo e Vassourinhas!

Às 18h, na Praça do Arsenal, diante da Torre Malakoff, recebeu a concentração para o cortejo, cerca de 120 pessoas entre músicos, passistas, capoeristas (São Salomão e Valentões), Rei e Rainha do Carnaval, portas estandartes, flabelistas e integrantes das agremiações convidadas e claro o Orquestrão sob a regência do grande maestro Ademir Araujo. Para a abertura do Carnaval de 2018. E ao som de maxixes e frevos ele se deslocou para o Marco Zero.

Maestro Duda, Yanê Montenegro e Alceu Valença (Foto: Fernando Machado)

Os clarins e tarós vão anunciando que o cortejo está chegando. Depois de 20 minutos o arrastão chegou ao palco do Marco Zero, sob barulho de fogos de artifícios, e ao som do frevo É Frevo Meu Bem, de Capiba. A cortina do palco se abre e ai começa o quadro O Frevo para o mundo. O Quinteto Violado grita freeevo! E o público responde: Freeevo! E lá no imenso palco já estava à melhor orquestra de frevo, atualmente, a do Maestro Duda. E que orquestra.

Ricardo Amorim, Barbara Graziela e Ariane Amorim (Foto: Fernando Machado)

O Quinteto Violado e a Orquestra do Maestro Duda tocam a música instrumental Frevo de Dudu (Dudu Alves) no imenso palco está um grupo de passistas, vestido de preto, fazendo evolução coreográfica com sombrinhas de todos os tamanhos. Na seqüência ouvimos o dobrado Batista de Melo (Manuel Alves Leite). Surge a malta de capoeiristas que evolue com o dobrado em toda a extensão do palco.

Lucinha Oliveira, Lais Climaco e Socorrinho Cardoso (Foto: Fernando Machado)

É executado Três da Tarde (Lídio Macacão) onde Passistas da Escola de Frevo, Otavio Bastos, Junior Ramalho, Meia Noite, Devison Vicente, Alisson, Inaê Silva, Anne Costa, Angélica, fazem a passagem para a dança frevo. Então é executado o frevo Cabelo de Fogo (Maestro Nunes), com a participação do Maestro Forró. Em seguida Cesar Michilles, com 6 flautistas, tocam Rumo Norte (Toinho Alves), e o frevo Ultimo Dia (Levino Ferreira).

Antônio Carlos Nóbrega com o pastor e pastoras do Inocentes do Rosarinho (Foto: Fernando Machado)

Entram ao palco os porta-estandartes das troças, acompanhados por dois brincantes, e dois passistas que conduziram de forma lúdica a coreografia. Antônio Carlos da Nóbrega interpreta Madeira que Cupim Não Roí (Capiba). Então entram os blocos líricos com suas Flabelistas e Brincantes tendo como fundo musical o Último Regresso (Getulio Cavalcanti), ainda tocam o Hino de Batuta de São José (João Santiago).

Maestro Duda, Mida, Melissa Albuquerque e Maestro Spok (Foto: Fernando Machado)

Participaram do quadro os blocos Compositores e Foliões; Com você no Coração; Banhistas do Pina; Confete e Serpentina; Boêmios da Boa vista; Cordas e Retalhos, Damas e Valetes, Saudade; Bloco das Flores; Esperança de Campo Grande; Ilusões; Eu quero mais; Inocentes do Rosarinho; O Bonde; Madeira do Rosarinho; Pierrot de São José; Edite do Cordão; Utopia e Paixão; Um Bloco em Poesia e o Bloco da Saudade.

Os palhaços Periquitos do Zumbi (Foto: Fernando Machado)

O Quinteto e Duda tocam com Jota Michilles Bom Demais e Me Segura Que Se Não Eu Caio (Jota Michilles); Morena Tropicana (Vicente Barreto e Alceu Valença) e Banho de Cheiro (Carlos Fernando). Entra André Rio cantando o Frevo Não Para (Dudu Alves), Voltei Recife (Luiz Bandeira), com coreografias dos palhaços Piriquitos do Zumbi e do Urso Cangaçá, ao ritmo do Hino de Elefante de Olinda (Clidio Nigro).

Edila Araujo, Juliana e Karla Carvalho do Pierrrot de São José (Foto: Fernando Machado)

Ouvimos o Frevo Sanfonado (Sivuca) com a Banda de Pífano Zé do Estado e Luciano Magno na Guitarra. E o grande final foi com o hino do Carnaval de Pernambuco Vassourinhas de Joana Batista da Silva e Mathias da Rocha. Em minha opinião o melhor momento da noite, pois o palco fica completamente lotado de figurantes. Nos outros momentos como o palco é grande demais, os participantes ficavam perdidos.

Pingo Barros, Armandinho e Tiago Murie (Foto: Fernando Machado)

Faltou beleza plástica, ou seja, gente, no palco, e para quem assistiu ao espetáculo via televisão não deve ter gostado, pois a cenografia não funcionou. Ainda bem o final salvou tudo. Para esse show trabalharam 370 figurantes. O importante que o frevo foi homenageado no seu dia. A minha nota para O Frevo para Mundo é 7. E completo foi melhor do que as aberturas do Carnaval com os Maracatus.

O palco no final do show (Foto: Fernando Machado)

Dia do Frevo e de Vassourinhas

Graças a Deus a abertura do Carnaval do Recife vai ser em homenagem ao Frevo, afinal de contas hoje é o Dia da maior expressão carnavalesca de Pernambuco. Depois de 16 anos de Maracatu ninguém agüentava mais. Esta noite a partir das 19h30, no Marco Zero, vai virar palco para uma grande celebração ao ritmo que é patrono da folia, abre alas da alegria e sinônimo de festa para todo recifense que se preze.

Prefeito Geraldo Julio e a notável primeira dama Cristina (Foto: Fernando Machado)

Espero que os coordenadores da festa tenham incluído Vassourinhas do esquecido Mathias da Rocha (1864/1907) e Joana Batista Ramos 1877/1952). Fiquei feliz que a Orquestra do Maestro Duda suba ao palco, pois então teremos o verdadeiro frevo. Também teremos os blocos líricos (Banhistas do Pina, Bloco das Flores, Madeira do Rosarinho, Bloco da Saudade e Pierrot de São José, entre outros) se apresentando ao som de Madeira que Cupim não Rói, do grande Capiba, na voz de Antônio Nóbrega.