Fernando Machado

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Fatos Diversos

Amanhã, às 13h, Dia da Consciência Negra, o cantor e compositor Carlos Caramello comanda a III Resenha do Caramello, com o cantor Gustavo Lins e convidados. O show acontece no Boteco Capadócia, em Marechal Hermes. Carlos será acompanhado por Leandro Lessa, Michel Ramos, Adriano, Ruan Maximino, William, Vitinho e Dun.

O cantor Carlos Caramello (Foto: Divulgação)

Leonor Espinosa chef do restaurante Leo em Bogotá, na Colômbia, recebeu o prêmio Estrella Damm Chefs’ Choice Award 2020. Decidido pelos chefs que compõe a lista Latin America’s 50 Best Restaurants 2020, o prêmio reconhece um profissional que conquistou o respeito da classe profissional em razão de um trabalho inspirador e por demonstrar liderança em matéria de hospitalidade.

Noticias da Bahia

A primeira opera negra da Bahia será lançada no próximo dia 15, às 19h, no projeto da Ópera Lidia de Oxum, que acontecerá no Museu de Arte Moderna, em Salvador. A coordenação geral é de Ildázio Júnior e a direção artística de Gil Vicente Tavares filhos de Ildásio Tavares, que junto a Lindembergue Cardoso assina a obra, a montagem que vai acontecer em novembro, no Teatro Castro Alves em Salvador.

Ildazio Junior, Gil Vicente e Ildasio Tavares (Foto: Divulgação)

Uma das atividades físicas mais completas que existe, que mistura movimentos de dança, ioga, ginástica, assim é a pole dance e Salvador recebe no próximo dia 23 o I Festival Oxente de Pole Dance. O evento acontecerá no Teatro Jorge Amado e vai receber 36 performances de estúdios do Norte e Nordeste que mesclam diversas linguagens artísticas e nomes consagrados do cenário nacional da modalidade.

Nos Bastidores da Política

O secretário de Educação do Ceará, Idilvan Alencar, será o anfitrião da I Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação, que acontecerá nos próximos dias 12 e 13, no Hotel Gran Mareiro, em Fortaleza. Presidido por Alencar, o Conselho vai receber da secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães Castro, o texto da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio, para validação dos secretários.

O prefeito Carlos Eduardo Alves assinou, ontem, a lei nº 6.777, na qual cede um terreno situado no Conjunto Santa Catarina para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte construir o primeiro hospital público voltado para a saúde materno infantil de Natal. O terreno cedido pela Prefeitura do Natal à UFRN mede 16.400m2 e está avaliado em R$ 15,357 milhões.

Para celebrar as raízes negras e femininas da cultura pernambucana, a Terça Negra toma conta do Pátio de São Pedro, na próxima terça-feira às 20h. Programação do Movimento Negro Unificado, com apoio da Prefeitura do Recife, o evento contará com três atrações nesta primeira edição pós-Carnaval. Subirão ao palco o Coco Zé Neguinho, a Lady Lay e o Coco da Resistência.

A inesquecível Ana Maria Guimarães 

Embora situado numa região de grande concentração de negros remanescentes da época da escravidão, Pernambuco só elegeu sua primeira miss negra 100 anos depois de promulgada a Lei Áurea. Em 1988 o concurso Miss Pernambuco de 1988 bateu o recorde nacional de jovens afro-descendentes que participaram numa mesma competição. Das 34 candidatas, 4 eram negras: Ana Maria Guimarães (Clube Rodoviário), Itamira Andrade (Grupo Teatral Além do Túnel), Waldênia de Souza Melo (Clube Pierrot de São José), e Solange Monteiro Melo (Sirinhaém).

A foto oficial das candidatas ao Miss Pernambuco de 1988 (Foto: Roberto Paixão)

Nem a Bahia ou até mesmo o antigo Estado da Guanabara, cujas populações são predominantemente de negros tinha atingido essa marca. Mas para chegar até o título, Ana Maria Guimarães teve de enfrentar muitos obstáculos, como encontrar um clube que apoiasse seu nome, derrubar o preconceito das agremiações que não a aceitaram pela cor de sua pele. O Clube Rodoviário de Pernambuco, cujos sócios eram funcionários do DER-PE, topou a parada e abraçou o seu nome.

Ana Maria Guimarães, Andrea Minelli, Aninha, Valeria Nielsen,  Denir Santos e Aninha (Fotos: Geraldo Guimarães)

Do alto dos seus 1m80 de altura, corpo longilíneo,  passarela impecável a deusa de ébano ganhou a simpatia unânime das candidatas, os aplausos da platéia que lotou o salão principal do Clube Internacional do Recife e os votos da comissão julgadora formada por pessoas de prestígio, alguns da aristocracia pernambucana. Todavia, ao ter seu nome anunciado como a nova Miss Pernambuco, ela sentiu na pele o que seus antepassados sofreram no pelourinho e nas senzalas. Da platéia surgiu em sua direção um copo com resto de bebida e pontas de cigarro.

Aninha desfilando pela última como Miss PE e Aninha desfilando para ser Miss PE-88 (Fotos: Geraldo Guimarães)

Com muita altivez e classe, ela continuou  seu desfile majestosamente com coroa, faixa, manto e cetro e foi ovacionada pelo público deixando constrangido o autor do ato racista. Aninha tinha experiência como manequim, pois fazia parte do casting dos desfiles da Ele e Ela Modas, e soube tirar de letra aquele momento de fobia à sua raça. Do Recife seguiu para disputar o Miss Brasil de 1988 em São Paulo onde chegou como uma das favoritas.

No quinteto Aninha já se destacava (Foto: Geraldo Guimarães)

Ana dividiu os flashes, os holofotes e a mídia com a Miss Bahia, Vanessa Blumenfeld Magalhães, uma loura de arrasar quarteirões, lindíssima e apontada como a nova Martha Rocha. No entanto o concurso de 1988 foi de muitos equívocos e desacertos motivados pela ausência de Sílvio Santos no comando, devido a uma doença nas cordas vocais. Sem ele, a competição trocou o Palácio das Convenções do Anhembi pelo acanhado auditório da TVS, na Vila Guilherme. A miss eleita não era a preferida.

Ana Maria Guimarães no Bal Masqué e no Baile Municipal de 1989 (Fotos: Divulgação)

Primeiro anunciaram as 12 semifinalistas com a pernambucana incluída. Depois chamaram apenas três sem ela. Na época circularam nos bastidores boatos de que a mãe da Miss Bahia ficou indignada com o segundo lugar de sua filha e que desabafou que naquele concurso só tinham duas candidatas para ganhar, as misses Bahia ou de Pernambuco. Outro bafon que até hoje circula no mundo dos missólogos é que uma das juradas teria dado uma nota baixa a pernambucana evitando assim que outra negra fosse eleita Miss Brasil.

A senhora Ana Regina Rique e a Miss Pernambuco de 1988, Ana Maria Guimarães (Foto: Geraldo Guimarães)

Daí da deusa de ébano de Pernambuco ficou fora do Top 3. Em tempo: o júri foi composto por José Victor Oliva, Jassa, Deise Nunes, César Filho, Chico Recarey e Joyce Kermann. Outra controvérsia: as notas não foram dadas ao vivo como ocorria nas edições anteriores. Após o Miss Brasil Ana Maria Guimarães fez vários editoriais de moda para revistas nacionais e internacionais e desfilou no circuito São Paulo-Nova Iorque-Paris-Milão-Tóquio. Ela concluiu o curso de Psicologia, casou com o mesmo namorado da adolescência, atualmente reside em Natal, no Rio Grande Norte e continua sendo a única negra Miss Pernambuco. (Texto: Muciolo Ferreira)

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