Um Nome Que a História Guardou

Nunca tinha ouvido falar nele, mas depois que o descobri fiquei fascinado pela sua meteórica e brilhante trajetória. Pois bem, hoje faz cem anos que este notável artista plástico pernambucano suicidou-se na França. Estamos nos referindo a Emilio Cardoso Ayres, que nasceu no Recife, em 23 de maio de 1890. Seus pais Emilia e Eugenio Cardoso Ayres, eram muito ricos, graça a cana de açúcar. Aos 15 anos, tentou trabalhar no comércio da família, mas percebeu que não era aquilo que buscava. Como desde criança gostava de rabiscar nos livros figuras de mulheres, seus pais decidiram mandá-lo estudar desenho, com o renomado pintor Telles Júnior, todavia ele não gostou do método ensinado pelo mestre.

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Emilio Cardoso Ayres pelo pincel de Henrique Bernardelli

Acho que poucas pessoas, sabem quem foi este fantástico pintor e chargista, tão elogiado pelos críticos cariocas. Emilio tinha quatro irmãos, um deles foi Dom Francisco Cardoso Ayres, bispo de Olinda (atualmente seria arcebispo de Olinda e Recife). Em 1908 foi morar no Rio de Janeiro e começou a frequentar o ateliê de Henrique Bernadelli, que o aconselhou a ir fazer especialização na Europa. Dois anos depois, retornou para o Rio de Janeiro, mas se demorou pouco tempo e regressou até a Europa. Viajou bastante, conhecendo a Rússia, a Suécia (foi neste país que conheceu o grande amor de sua vida), a Tunísia entre outros países. Durante sua temporada pela Europa desenhou para algumas revistas de moda de Paris, quando citaríamos o famoso jornal Gazette du Bon Ton.

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Muito raro encontrar desenhos de Emilio Cardoso Ayres (Fotos: Divulgação)

Gilberto Freyre escreveu no seu livro Ordem e Progresso: “Lembre-se de um brasileiro injustamente esquecido, Emílio Cardoso Ayres, que, pintor admirável e como caricaturista, talvez homem de gênio, ter sido colaborador, durante sua residência na França, de revistas parisienses de elegância. Ele poderia ter sido um excelente mediador plástico entre a França e o Brasil no setor da arte da moda de mulher. Não foi. Ainda jovem, talvez devido a dissabor de homossexual brasileiro apaixonado por sueco, suicidou-se”. Quem também escreveu sobre ele foi o jornalista Diogo Guedes, para Revista Continente. Não esquecer que Emilio era um excelente pianista e como era baixinho, seus sapatos eram tipo plataforma.