Réquiem para Sônia Gonçalves de Lima

Dona Honorina entre os filhos Glaucius e Sônia (Foto: Acervo da familia)

O Recife amanheceu, hoje, cinzento, uma chuvinha timidamente caiu e eu não entendi, o porquê. Depois que sol surgiu veio a notícia dada pelo sobrinho neto Ugo. “Fernando sua grande amiga faleceu hoje (ontem), às 6h”. Fiquei sem ação. Ela foi uma das mais íntimas amigas que consegui fazer no tempo do curso de jornalismo na Unicap. Estou me referindo à Sônia Gonçalves de Lima.

Sonia coma irmã  Clarissa e o amigo Wellington Moraes, no Bal Masqué de 1963 (Foto: Acervo da Família)

Era formada em Direito pela UFPE, estudou Jornalismo na UNICAP e era uma poetisa de mão cheia. “Deus/ Dai-me / Três dedos de prosa / E um minuto de paz”, escreveu ela no livro de poemas Cheiros. Do livro (Re) Nascer, eu pincei este trecho: “Sem sentir fui retirada /Da concha onde me escondia / E pude então (re) descobrir / O (velho) novo mundo ao meu redor”.

Sonia diante do retrato do seu, Oswaldo Gonçalves de Lima (Foto: Divugação)

Sônia era filha do cientista Oswaldo Gonçalves de Lima e a primeira arquiteta de Pernambuco Honorina Lima. Era uma pessoa maravilhosa, uma amiga de todos os momentos. Nos momentos mais difíceis da minha vida ela esteve ao meu lado. Recordo das noites de sextas-feiras que a gente ia para o Pátio de São Pedro, quando terminava as aulas. E agora Sônia, que será de mim?

Thereza Magalhães, Sonia, Leonardo Dantas Silva e Tereza Halliday (Foto: Acervo da Família)

Nos anos 80 escreveu esse poema: “Procura-se a ternura / E a afetividade do mundo / Se aceita ternura usada / E em estado primitivo / A afetividade latente / E a superficialidade / De preferência o conjunto / Afeto-ternura / Procura-se incessantemente, / Alucinadamente, dia e noite / Humildemente, se aceita doações / Em gestos e palavras”. Encerro com verso do seu livro Temas. “Os mortos falam / Não como os vivos / Os vivos ouvem / Não como os mortos”.

Sônia na foto oficial de conclusão de Direito na UFPE (Foto: Acervo da Família)