Fernando Machado

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O São João de Antigamente

“Olha pro céu, meu amor / Vê como ele está lindo / Olha praquele balão multicor / Como no céu vai sumindo / Foi numa noite igual a esta / Que tu me deste o coração / O céu estava assim em festa / Pois era noite de São João / Havia balões no ar / Xote, baião no salão / E no terreiro o teu olhar / Que incendiou meu coração”. Esta música de Luiz Gonzaga retrata como era bonita a festa junina de Pernambuco antigamente.

Alceu Penna criou a Garota junina para a revista O Cruzeiro de 29 de junho 1957

Atualmente não existem mais balões, por questão de segurança. As fogueiras estão em fase de extinção. Será que alguém lembra as garotas levando bacias para junto das fogueiras. Lá acendiam uma vela e seus pingos ao cair na água formavam o nome do rapaz com que deveria se casar. Agora a meninas vão caçar os namorados na internet. È mais prático, mas não tem aquele glamour. Lamartine Babo compôs uma marcha de carnaval, que depois virou musica junina. Isso é lá com Santo Antônio.

Alceu Penna criou este arraiá para as Garotas para a O Cruzeiro de 22 de junho de 1957

“Eu pedi numa oração / Ao querido São João / Que me desse um matrimônio / São João disse que não! / Isto é lá com Santo Antônio! / Implorei a São João / Desse ao menos um cartão / Que eu levava a Santo Antônio / São João ficou zangado / São João só dá cartão / Com direito a batizado / São João não me atendendo / A São Pedro fui correndo / Nos portões do paraíso / Disse o velho, num sorriso: / – minha gente, eu sou chaveiro! / Nunca fui casamenteiro! / Matrimônio! matrimônio! / Isto é lá com Santo Antônio”.

Que saudade das quadrilhas juninas de antigamente (Foto: Divulgação)

E as quadrilhas matutas, também desapareceram. Tem agora somente as dos políticos. As atuais foram batizadas de estilizadas, que são terríveis. Lembram mais alas de escolas de samba. As comidas juninas já não são mais as mesmas. Vamos a uma festa e a canjica e a pamonha, não tem aquele sabor gostoso. O milho verde cozido geralmente é duro. Um horror. E na música é pior ainda. Os prefeitos trazem sertanejos para animar seus arraiais. Caruaru que segundo Onildo Almeida era a capital do forró, não é mais. Por isso não vou mais festas juninas.

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