Fernando Machado

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Misses Que Não Precisaram de cotas

Dirce Machado de maiô, de vestido e no top 4: Maria Helena Tomé, Gina MacPherson, Shirley Carneiro e Dirce Machado (Fotos: O Cruzeiro)

No tempo em que não havia cotas para as negras nos concursos de miss, tudo era diferente, porque o que prevalecia mesmo era a beleza da candidata e não a cor de sua pele. Foi quando o Clube Renascença do Rio de Janeiro descobriu e lançou as mais belas mulatas que apareceram nas passarelas disputando o título de Miss Guanabara (atual Rio de Janeiro). Dirce Machado foi a pioneira do modesto clube fundado por profissionais liberais e intelectuais negros situado no Andaraí, subúrbio da zona norte, em 1960.

Aizita Nascimento, Léia, Eliane e Vera Lucia Maia, e em traje de gala (Fotos: O Cruzeiro e Manchete)

Depois vieram outras que marcaram época e fama como Aizita Nascimento (1963), Elizabete Santos (1966). Aizita revolucionou, porque no dia de sua eleição o Maracanãzinho quase veio abaixo com os gritos das mais de 25 mil pessoas dizendo: “queremos a mulata”. Acabou em 6º lugar. Muito pouco. Já Elizabete Santos ficou em 3º lugar e só não levou o título porque surgiu no seu caminho as gêmeas Elizabeth e Ana Cristina Ridzi, louras de arrasar quarteirão. Ana Cristina seria a representante do Brasil no Miss Universo.

Miss Brasil Internacional Vera Lucia Couto dos Santos (Fotos: O Cruzeiro)

Todavia foi em 1964 que uma negra se destacou nas passarelas e até hoje é lembrada. Nos referimos a Vera Lúcia Couto dos Santos, eleita Miss Guanabara, segunda colocada no Miss Brasil e terceiro lugar no Miss Beleza Internacional, realizado em Long Beach, Califórnia. Verinha até hoje tem o seu nome cantado durante o Carnaval por foliões de todas as idades quando nas ruas e clubes a multidão repete o refrão da marchinha Mulata Bossa Nova, composta por João Roberto Kelly. Sem precisar de cotas. Porque o politicamente correto é tudo que não é imposto, mas conquistado. (Texto: Muciolo Ferreira)

Sandra de Araujo Duarte, Elizabeth Santos, Elizabeth e Ana Cristina Ridzi (Foto: O Cruzeiro)

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