Fernando Machado

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Maria Lecticia é imortal

Era enorme a concentração de inteligência (jurídica, política, gastronômica), de charme do grand monde recifense, para não falar em poder, quinta-feira, na Academia Pernambucana de Letras. Numa noite assim, a cultura esteve presente, claro. Era como se o glamour e o brilho recifenses dos anos 50 nunca tivesse acabado. A noite foi tipo: encontro de gerações. E quem foi a responsável por isso tudo? A nova acadêmica Maria Lecticia Cavalcanti, née Monteiro, que tomava posse na cadeira nº 23.

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Maria Lecticia e José Paulo Cavalcanti Filho (Foto: Fernando Machado)

Cerca de 500 pessoas foram prestigiar a imortalidade da pesquisadora gastronômica na cadeira 23, que pertenceu a Cesar Leal (1924-2013) e que tem como patrono Francisco Phaelante da Câmra (1862-1909). A Academia Pernambucana de Letras foi a primeira no Brasil e acolher marido e mulher como membros-efetivos. Clovis Bevilaqua (1859-1944) em 1930 lançou sua esposa a escritora pernambucana Amélia Freitas Bevilaqua para a ABL mas foi rejheitada. Por conta disso nunca mais voltou à Casa.

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Maria do Carmo e Marcus Vinicius Vilaça em tempo de amor é lindo (Foto: Fernando Machado)

Jorge Amado (1912-2001) também queria levar Zelia Gattai (1916-2008) para a ABL, e isso somente aconteceu depois que ele faleceu. Maria Lecticia está na cadeira número 23 e o marido José Paulo Cavalcanti Filho na cadeira de número 27. O Auditório Mauro Mota estava com uma decoração linda grifada por Murilo Santiago e Maria Helena Mendonça, que utilizaram antúrios e phalaenopsis brancos.

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Ângelo Monteiro e Gustavo Krause  (Foto: Fernando Machado)

O mestre de cerimônia Silas da Costa e Silva convidou para compor a mesa a presidente da APL, Fátima Quintas, o vice Lucilo Varejão Neto, o secretário geral Rostand Paraiso, José Paulo Cavalcanti e sua mãe Maria Lia, Armando Monteiro Filho e sua Maria do Carmo, Carlos Moraes, Marcus Vinicius Vilaça e sua Maria do Carmo, Sonia Freyre, Antônio Correia de Oliveira, Margarida Cantarelli e Padre Edwaldo Gomes.

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Armando Monteiro à côté Maria do Carmo com o padre Edwaldo (Foto: Fernando Machado)

Na sequencia os acadêmicos Margarida Cantarelli, Antônio Correa de Oliveira e Rostand Paraiso foram recepcionar Maria Lecticia e a trouxeram para o Mauro Mota. A nova imortal estava très chic num deux pièces ton sur ton, preto e azul petróleo, from Belo Horizonte. E como é muito Católica usava nos pescoço um cordão de ouro com as medalhas de Santa Terezinha e Nossa Senhora de Fátima.

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Fátima Quintas e Marcus Vinicius Vilaça  (Foto: Fernando Machado)

Então foi iniciada a solenidade com a execução do Hino Nacional. A primeira a falar foi Fátima Quintas, depois foi a vez de Maria Lecticia, na sequencia jurou cumprir o compromisso regimental acadêmico. Maria Lecticia recebeu o diploma de Fátima Quintas e o colar acadêmico do pai, Armando Monteiro Filho. Já imortal ouviu a saudação do acadêmico Marcus Vilaça. As três falas foram notáveis. Fátima Quintas deu um mergulho no passado da nova imortal. Foi a presidente da APL quem convidou Maria Lecticia para sua primeira palestra e isso aconteceu num seminário na Fundação Gilberto Freyre.

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José Paulo Cavalcanti, com o filho José Paulo e as netas Leticia e Luiza  (Foto: Fernando Machado)

Maria Lecticia foi fundo nas pesquisas, lembrou as guerras pernambucanas, a cozinha pernambucana, citou Clovis Beviláqua, Eça de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Gilberto Freyre, Mauro Mota, César Leal e dona Brites, mulher de Duarte Coelho. Também confessou seu orgulho de ser a primeira mulher focada na gastronomia assumir uma cadeira de imortal e frisou: “Devo isso à minha mãe”.

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Fátima Quintas e Margarida Cantarelli (Foto: Fernando Machado)

O speech de Marcus Vilaça peregrinou pela sociologia, pela história social pernambucana e teve uma pitada de ironia. E como bom amigo não esqueceu de citar José de Souza Alencar, ou como é mais conhecido Alex. Sem dúvida, um reencontro do presente com o passado. Depois Rostand Paraiso leu o termo de posse, Fátima Quintas encerrou a reunião solene e depois tivemos a execução do Hino de Pernambuco.

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