Fernando Machado

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Categoria teatro

As Certinhas do Lalau

Stanislaw Ponte Preta um poeta do deboche (Foto: Internet)

Com a mesma ansiedade que aguardava o Carnaval, o resultado do jogo do bicho e a final de um clássico no Maracanã, o carioca tentava descobrir quais “boazudas” seriam convocadas  para o time das Certinhas do Lalau. As eleitas eram premiadas com fotos individuais de corpo inteiro na primeira edição de Janeiro da revista Fatos & Fotos. Debochando dos colunistas sociais que anualmente publicavam listas das Mulheres mais bem vestidas, as mais elegantes, certo dia o  irreverente Stanislaw Ponte Preta – pseudônimo do jornalista, cronista e teatrólogo Sérgio Porto (1923/1968), sentenciou: “vestir com classe é fácil, o difícil é tirar a roupa com idem”.

A pernambucana Carmen Verônica (Foto: Internet)

Aí, criou a lista das Dez Mulheres mais bem Despidas, popularizada como As Certinhas do Lalau“. Beth Faria, Norma Benguell, Aizita Nascimento, Neide Aparecida, Irma Alvarez, Dorinha Durval, Maria Claudia, Alcione Mazzeo, Marlene Silva, Angelita Martinez, Anilza Leoni,  Nédia Montel, Sônia Dutra, Carla Miranda, Rose Rondelli, Zélia Hoffman, as Irmãs Marinho, Pochy Grey, Carmem Verônica, Íris Bruzzi, Virgínia Lane entre outras, figuraram no rol das mais bem despidas. O título era tão valorizado como o passe de jogador de seleção brasileira.

Anilza Leoni e Rose Rondelli (Fotos: Internet)

Garantia de contratos publicitários e trabalho na televisão, cinema, teatro, comerciais, viagens e até “fisgar” um ricaço garantindo seu  “pezinho de meia” e a aposentadoria dos sonhos de qualquer trabalhador. O concurso de beleza criado pelo compositor do antológico Samba do Crioulo Doido tinha a particularidade de ser o único evento do gênero no país, ou no mundo, em que só um jurado dava as cartas.

Wilza  Carla e Zélia Martins (Foto: Internet)

No caso, o próprio Stanislaw, embora ele jurasse “não ser  especialista na matéria”. Até 1968, ano de sua morte aos 45 anos, pelo seu olhar clínico foram selecionadas mais de uma centenas de beldades de “arrasar quarteirões” por onde passavam. Causaram muita insônia nos marmanjos em intermináveis noites de degustação das páginas em preto-e-branco da revista Fatos & Fotos com um apetite tão voraz e o gostinho de Quanto mais Certinhas, melhor!. (Texto do jornalista Muciolo Ferreira)

Angelita Martinez (Foto: Internet)

Viva as vedetes Brasileiras!

Corpo exuberante e um pouco de talento; necessariamente não era preciso ser bonita. Bastava ser gostosa para atrair os homens. Eram esses os atributos de uma girl para se tornar na Vedete – a estrela principal dos Teatros de Revistas Brasileiros cujo apogeu ocorreu nas décadas 40, 50 e até o início dos Anos 60. As vedetes também ficaram famosas pelo poder e a força que  tiveram em mostrar nos palcos  “Quando o menos é mais” no caso o figurino.

As vedetes Mara Rubia e Virginia Lane (Fotos: Divulgação)

As icônicas Virgínia Lane, Mara Rúbia, Sônia Mamede, Íris Bruzzi, Zaquia Jorge, Carmem Verônica, Renata Fronzi, Dercy Gonçalves, Dorinha Durval, Luz Del Fuego, Elvira Pagã, Marly Marley, Bibi Ferreira, Angelita Martinez, e Esther Tarcitano souberam como ninguém incendiar o imaginário sexual dos homens e, algumas delas, influenciar a política e os costumes da época. (Texto do jornalista Muciolo Ferreira)

Senhora de Engenho entre a Cruz e a Torá

Na próxima sexta-feira e no sábado, às 19h30, no Casarão de Maria Amazonas, em Camaragibe, serão encenados o espetáculo Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá, por conta do XXVI Janeiro de Grandes Espetáculos. O Texto de Miriam Halfim é baseado na história real, quase lendária, da portuguesa Branca Dias e de sua luta para se manter fiel a sua fé judaica, enfrentando tanto a Santa Inquisição em Portugal.

O ator Pedro Dias na peça Senhora de Engelho (Foto: Divulgação)

Branca Dias era uma mulher forte e destemida, porém cheia de conflitos; suas emoções intensas, o seu senso de justiça; sua fé inabalável na Torá contra a culpa de ter que apresentar um credo religioso diferente. No elenco Pedro Dias, Cláudia Alves, Dul Santos, Euclides Farias, Francis de Souza, Geraldo Cosmo, Lom Paz, Maria Eduarda Salustiano, Nanda Andrade, Patricia Assunção, Wanderson Oliveira e William Gomes.

O Baile do Deus Morto

A obra multidisciplinar de Flávio de Carvalho (1899/1973), expoente do modernismo brasileiro, será homenageada em exposição na Galeria Almeida e Dale. Com curadoria de Kiki Mazzucchelli, a mostra abre hoje, e reúne registros das polêmicas performances do artista, além de pinturas e desenhos produzidos entre 1930 e 1970. Para marcar a abertura, às 11h30, o Teatro Oficina faz uma apresentação única de trecho da peça O Baile do Deus Morto.

O sociólogo Flavio de Carvalho quando saiu de saiote em São Paulo (Foto: Divulgação)

Escrita pelo artista em 1933, a obra discorre sobre a tragédia da morte de deus e apresenta a vida criativa do homem livre de mitos. Com direção de Marcelo Drummond, os 12 atores da Companhia encenam com a musicalidade característica do Oficina e vestem as réplicas das máscaras criadas por Flávio. Após a encenação, as máscaras serão expostas para o público na mostra individual, em cartaz na Galeria até o dia 19 de outubro.

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