Fernando Machado

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Categoria Carnaval

Velha Guarda da Portela

Majestade do samba carioca, a Velha Guarda da Portela fará uma live hoje, às 14h, como parte de suas comemorações de 50 anos. Destinada aos portelenses e a quem não dispensa um bom samba, Uma história contada à samba celebrará a trajetória do grupo, comemorando também o aniversário de meio século da música Foi Um Rio que Passou em Minha Vida, composição de Paulinho da Viola, idealizador do grupo, para a Portela. A Velha Guarda da Portela tem sua origem em 1970, quando o sambista Paulinho da Viola reuniu os baluartes mais representativos da escola para gravarem o álbum Portela Passado de Glória.

A velha guarda da Portela em tempo de live (Foto: Divulgação)

A iniciativa foi tomada para preservar os fenomenais sambas que eram tocados nos eventos da escola e que não tinham registro para além das memórias dos presentes. A Portela foi a primeira escola a ter uma velha guarda show organizada em grupo musical, abrindo precedentes para a valorização dos integrantes que fizeram história também em outras agremiações. A apresentação será transmitida simultaneamente pelos canais no YouTube da produtora audiovisual Fitamarela, no link http://www.youtube.com/c/Fitamarela, e no da escola, na Portela TV, no link http://www.youtube.com/c/PortelaTV.

Até hoje a pisada foi essa

O cigano-criança um orgulho para o Bloco da Saudade (Foto: Leonardo Dantas Silva)

Queria tanto fazer hoje uma matéria sobre os maracatus e caboclinhos do Carnaval do Recife, mas infelizmente não deu. Liguei para o secretário de imprensa da Prefeitura do Recife, e até fechar o blog não respondeu. Não se faz mais assessoria de imprensa como antigamente.

Viva o Maracatu: o batuqueiro, a dama corte em relax e um porta-estandarte (Fotos: Angelo Castello Branco)

Então pesquei fotos dos jornalistas Ângelo Castelo Branco e Leonardo Dantas Silva, para ilustrar esta homenagem ao verdadeiro Carnaval do Recife. “Quando a vida é boa / Não precisa ter pressa / Até quarta-feira / A pisada é essa”, compôs Capiba.

Vamos Recordar o Passado

Como reza a tradição, relógio marcava 16h30, e o átrio da Matriz da Boa Vista, no final da Rua da Imperatriz, nos arredores da Praça Maciel Pinheiro, os 29 pastores e as 87 pastoras do Bloco da Saudade, e seus perseguidores começaram a procissão com destino ao Marco Zero, para o encontro dos Blocos Líricos. O Saudade surgiu em 1972, graças ao compositor Edgard Moraes quando compôs Valores do Passado. Então Edgard Moraes, Antonio José Medeiros e Marcelo Varela tiveram a ideia de criar o bloco e a partir de 1973 eles saíram pelas ruas do Recife.

As pastoras Lucia Cavalcanti e Isabel Bezerra (Foto: Fernando Machado)

E a Rua da Imperatriz, pobre de decoração, testemunhava mais uma vez o desfile do Bloco da Saudade., cuja presidente é Isabel Bezerra. Juro que vi nos sobrados, em estado de abandono, Joaquim Nabuco, EdgardRaul Moraes, Nelson Ferreira, Capiba, Luiz Bandeira, Antonio Maria, Romero Amorim, João Santiago, Aldemar Paiva, DináWaldemar de Oliveira, João e Raul Valença, José Menezes, Clarice Lispector, Dona Santa debruçados nas varandas aplaudindo os blocos líricos. Sonhar não custa nada.

Claudia Porpino e marido Felipe Cabral de Melo (Foto: Fernando Machado) 

Um coral com mais de mil vozes cantou o hino do bloco, Valores do Passado, de Edgard Moraes: “Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes / Camponeses, Apôis Fum e o Bloco Um Dia Só / Os Corações Futuristas, Bobos em Folia / Pirilampos de Tejipió / A Flor da Magnólia / Lira do Charmion, Sem Rival / Jacarandá, a Madeira da Fé / Crisântemos Se Tem Bote e Um Dia de Carnaval / Pavão Dourado, Camelo de Ouro e Bebé / Os Queridos Batutas da Boa Vista / E os Turunas de São José / Príncipe dos Príncipes brilhou / Lira da Noite também vibrou / E o Bloco da Saudade, assim recorda tudo que passou”.

Marjones Pinheiro e sua mãe, Magdaleine, o carnavalesco Carlos Ivan e Eduardo Mendes (Foto: Fernando Machado)

Por coincidência o prédio onde morou Joaquim Nabuco, o Bloco da Saudade, cantou de Nelson Ferreira: Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon / Cadê teus blocos famosos / Bloco das flores, andaluzas, pirilampos, apôs-fum / Dos carnavais saudosos / Na alta madrugada / O coro entoava / Do bloco a marcha-regresso / E era o sucesso dos tempos ideais / Do velho Raul Moraes / Adeus adeus minha gente / Que já cantamos bastante / E Recife adormecia / Ficava a sonhar / Ao som da triste melodia”.

O Maestro Bozó regente da Orquestra de Pau e Corda (Foto: Fernando Machado)

Já estávamos o final da Rua da Imperatriz, quando surgiu João Santiago: “Vou relembrar o passado / Do meu carnaval de fervor / Neste Recife afamado / De blocos forjados / De cor e esplendor / Na Rua da Imperatriz / Eu era muito feliz, / Vendo o bloco desfilar / Escuta Apolônio o que eu vou relembrar / Os Camponeses, Camelo e Pavão / Bobos em Folia do Sebastião / Também Flor da Lira com seus violões / Impressionava com suas canções”.

As pastoras Tereza Lins que mora em Chicago e Marta Freitas Lins que reside em Maceió (Foto: Fernando Machado)

Quando chegaram ao Quartel General do Frevo, na Pracinha do Diário, o coral cantou bem alto de Capiba: Madeira do Rosarinho / Vem a cidade sua fama mostrar / E traz com seu pessoal / Seu estandarte tão original / Não vem pra fazer barulho / Vem só dizer… e com satisfação / Queiram ou não queiram os juízes / O nosso bloco é de fato campeão / E se aqui estamos, cantando esta canção / Viemos defender a nossa tradição / E dizer bem alto que a injustiça dói / Nós somos madeira de lei que cupim não rói”.

O pastor Claudemir Gomes (Foto: Fernando Machado)

Bloco da Saudade estava irrepreensível com seus componentes fantasiados de ciganos, criados pelo carnavalesco Carlos Ivan Vieira de Melo. Ali me despedi dos pastores e das pastoras, não aguentava mais a fedentina de urina, durante todo o percurso. E pensei para onde vão os IPTUs. O bloco seguiu em frente entoando de Nelson Ferreira e Aldemar Paiva, o Frevo da Saudade: Quem tem saudade não está sozinho / tem o carinho da recordação / por isso quando estou mais isolado / estou bem acompanhado / com você no coração”.

Ouçam como é linda o frevo-canção: https://www.youtube.com/watch?v=1WhssdniSek.

 

Galo da Madrugada no passo do Cordel

Rômulo e Ana Neri Meneses com o neto Marcelo (Foto: Sheila Wanderley)

Praça Sérgio Loreto, no bairro de São José, surgiu depois de vários aterramentos. Seu traçado original com características do paisagismo inglês – linhas curvas, imitando as linhas da natureza, delineando o lago e os passeios sinuosos, sombreados por grandes árvores e imponentes palmeiras imperiais – foi definido em 1924, e sua instalação realizada pelo prefeito Antonio de Góes, em 1926, em homenagem ao governador.

O presidente do TJPE, desembargador Fernando Cerqueira e Zulene Norberto (Foto: Sheila Wanderley)

Antes, era conhecida como Praça do Muniz, Campina do Bodé e Praça Siqueira Campos. A Praça era considerada o mais belo jardim do Recife: possuía coreto em que bandas de música faziam retretas. Existia a Ilha dos Amores e a calçada do jardim, apelidado de quem-me-quer, de onde os rapazes dirigiam galanteios às moças que ali surgissem. Quem sabe a turma alegre também não batia o ponto por lá.

Sheila Wanderley com um dos arranjos mais bonitos do camarote e João Alberto (Foto: Instagram)

Sérgio Loreto é contornada pela Rua Imperial e pela Avenida Sul. No seu logradouro, foi inaugurado em 1975, um monumento em concreto armado polido em homenagem aos heróis da Restauração Pernambucana, by o escultor Abelardo da Hora. Com o tempo a praça foi esquecida pelo governo municipal e a população em geral não mais a visitava. Após muitas reclamações, o governo municipal realizou algumas intervenções necessárias para revitalizá-la.

O desembargador Fausto Campos e Amanda (Foto: Sheila Wanderley)

A partir de 2009 o Clube de Máscaras Galo da Madrugada, que possui um galpão nos seus arredores decidiu adota-la. Neste local foi fincado o Camarote do Galo da Madrugada, com 1.200 m². O tema deste ano foi O Galo Gigante – No Passo do Cordel. O cordelista J. Borges estava lá. O camarote foi decorado por Romildo Alves. Cerca de dois mil e 200 convidados assistiram a passagem do Galo.

Lelé Carvalho e Andre Valença à Van Gogh (Foto: Sheila Wanderley)

O bufê maravilhoso foi grifado pelo La Cuisine de Sophia Lins. Quem chegou cedo teve direito a um café da manhã com sanduíches, cachorros quentes e vários tipos de bolos. Depois das 11h foram servidas massas, salada italiana com penne, ravióli de queijos nobres. Não esquecer os hambúrgueres da Dom Black que fizeram muito sucesso.

Antônio Lavareda e Caçyone Gomes (Foto: Sheila Wanderley)