Fernando Machado

Blog

Categoria artes plásticas

O Cemitério Senhor Bom Jesus da Redenção

O Recife tem seu cemitério de Père-Lachaise, estamos nos referindo ao Cemitério Senhor Bom Jesus da Redenção, ou melhor, o Cemitério de Santo Amaro. Inaugurado, no dia 1 de março de 1851, pelo governador José Ildefonso de Sousa Ramos, todavia se deve a proeza ao governador Francisco Rego Barros, o Conde da Boa Vista, que tinha como objetivo modernizar o Recife. O Santo Amaro, o maior do Recife, foi projetado pelo engenheiro José Mamede Alves Ferreira (1820/1865), e mede 145m².

O túmulo do abolicionista Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo (1849-1910), obra é do escultor italiano Giovanni Nicolini (1872/1956) Foto: Leonardo Dantas

O toque de romantismo é o acesso até chegarmos lá, e se chama Avenida da Saudade. Os primeiros sepultamentos no Senhor Bom Jesus da Redenção foram com as pessoas vítimas de febre amarela, porque as igrejas não quiseram enterra-los. Era costume na época os mortos serem enterrados nas igrejas. Sua arquitetura é radial, com túmulos distribuídos ao longo de ruas que partem de um ponto central, ou seja a Capela de Nossa Senhora da Conceição. É, sem dúvida, a maior galeria de arte ao ar livre de Pernambuco.

Vernissage de Alexandre Suplicy

Angelo Derenze, diretor geral do D&D Shopping, em SP, reuniu na noite de quinta-feira, um grupo de arquitetos e decoradores, para vernissage Tempos de Quarentena, do fotógrafo Alexandre Suplicy. Todos em segurança e seguindo todas as normativas, puderam conferir obras inspiradas por uma São Paulo parada. Isso porque o fotógrafo saiu, em março, pelas ruas da cidade para fotografar imagens impressionantes, de uma capital em silêncio.

Angelo Derenze, Alexandre Suplicy e Rodrigo Pitangui (Foto: Denise Andrade)

Um clic mais interessante e reflexivo do que o outro. O resultado é a exposição Tempos de Quarentena – que pode ser feita virtualmente ou fisicamente, seguindo todas as normativas de segurança. Ao todo, a mostra é composta por 23 quadros de imagens únicas do fotógrafo, além de um projetor interativo com vídeo de imagens variadas registradas por drone. A mostra ficará aberta até o dia 27 de setembro.

Réquiem para Janete Freire

Este blog pinçou dos rituais do futebol, essa frase: um minuto de silencio. O mundo das artes encurtou, ontem, com o falecimento da brilhante paisagista e arquiteta pernambucana Janete Freire. Na próxima quarta-feira, Janete faria 81 anos. Era uma grande figura humana, estava sempre de alto astral. Deu uma grande contribuição ao Recife e a Pernambuco nas gestões do então prefeito, e governador Jarbas Vasconcelos.

A notável Janete Freire (Foto: Fernando Machado)

Projetou a recuperação de praças e jardins (o II Jardim de Boa Viagem ela ergueu peças de barro de Tracunhaém), incluo os que margeiam a Avenida Agamenon Magalhães. Sem esquecer suas decorações de Natal e de Carnaval da capital pernambucana. Eram lindas e de bom gosto. Quando Janete projetou a Avenida Agamenon Magalhães plantou arvores e flores aromatizadas para diminuir o mau cheiro do canal. Sem dúvida, Janete Freire foi um nome que a história guardou.

Beleza sem Idade by Glauber Rossi

Fotógrafo Glauber Bassi deu novo significado ao seu projeto Beleza sem Idade ao receber depoimentos sobre solidão e isolamento dos participantes do ensaio. É perceptível que a juventude nascida na era digital age com desdenho diante da covid-19 e parece não se importar que os idosos sejam as principais vítimas da doença. Pensando em reverter essa situação, o fotógrafo Brasileiro Glauber Bassi, famoso por fotografar diversas capas de revistas ao redor do mundo, fez do seu último projeto fotográfico chamado Beleza sem Idade, um atrativo para conscientização dos demais grupos pelo público 60+, que vem sofrendo com a pandemia.

Fotografo Glauber Bassi (Foto: Divulgação)

“Fiquei tocado com os depoimentos que começaram a me enviar, precisavam de alguém para conversar sobre isso”. Um dos fotografados, Julio Brasil, 60 anos, comentou sobre o que sente diante da repercussão. “Não vi as autoridades competentes em momento algum responsabilizando este ou aquele grupo de faixa etária pela propagação do vírus. Nós, acima dos 60, sabemos que o vírus pode ser fatal. Sabemos de nossa responsabilidade. Porém os que estão abaixo dos 60 possuem enorme responsabilidade. Esta turma deve ter consciência que uma conduta desregrada pode matar os mais velhos.”

Margarida Pereira vista pelas lentes de Glauber Bassi 

Maria Antonieta, 70 anos, que também participou do projeto, revelou as críticas que já passou e ainda passa nesse momento de pandemia: “Há tempos atrás externei minha preocupação em relação ao contagio e fui muito criticada por uma jovem que me disse que não pertencia ao grupo de risco, que quem estava morrendo na Itália eram apenas os velhos. Sei que é uma doença muito grave para nós, os idosos, mas todos precisam de cuidados”.

Julio Brasil pelas lentes de Glauber Bassi

Criador do projeto originalmente lançado em fevereiro deste ano, Glauber se diz orgulhoso e confiante de que as fotos relançadas com o depoimento dos participantes sobre o que estão sentindo ao serem excluídos podem mudar o pensamento da sociedade. “Eles merecem mais do respeito, atenção e todo o cuidado possível. Ajude o idoso mais próximo, tenha compaixão com as pessoas e assim, acredito que todos evoluiremos para melhor”.

Maria Antonieta by Glauber Bassi

“No projeto Beleza sem Idade eu quis evidenciar a alegria deles, tudo foi feito em fevereiro deste ano, no Brasil. Na época ninguém imaginava o que estava por vir, por isso tenho a sensação de que o trabalho foi realizado em outra vida. Quero trazer de volta essa alegria capturada nas fotos, pra mostrar que a felicidade existe”. Depois de fotografar o projeto no Brasil, Glauber viajou para Milão e voltou às pressas em março quando a pandemia chegou na Europa matando centenas de pessoas por dia. “Meu refúgio é em uma fazenda no Brasil”. A exposição contou com mais de 10 modelos acima dos 60 anos.