Fernando Machado

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Ângela Maria deixou nossa alma vazia

Ainda não me acostumei com as partidas. Sábado a eterna Rainha do Radio, Ângela Maria, foi cantar no céu. Eu fiquei órfão, afinal de contas ela foi minha musa desde que me entendo de gente. Mas nós da terra estamos tristes. Abelim Maria da Cunha nasceu no Rio de Janeiro do dia 13 de maio de 1929.

Ângela Maria em fevereiro de 1956 (Foto: O Cruzeiro)

Agora Angela e Cauby Peixoto devem estar cantando Ave Maria no Morro: “Barracão de zinco sem telhado / Sem pintura / Lá no morro / Barracão é bangalô / Lá não existe felicidade de arranha-céu / Pois quem mora lá no morro / Já vive pertinho do céu / Tem alvorada / Tem passarada alvorecer / Sinfonia de pardais / Anunciando o anoitecer / E o morro inteiro / No fim do dia reza uma prece / Ave Maria”.

Emilinha Borba coroando Ângela Maria como Rainha do Radio de 1954 (Foto: Internet)

Muitos artistas se inspiraram na Ângela Maria, como Elis Regina, Djavan, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Gal Costa, para citar apenas estes. Ela reinou na Era de Ouro do Rádio. O presidente Getulio Vargas a chamava de Sapoti porque tinha uma voz doce. Começou a cantar escondido da família até que em 1951 recebeu autorização.

A realeza do radio brasileiro: Marlene, Emilinha Borba, Cauby Peixoto e Ângela Maria (Foto: Internet)

Depois de 70 anos de carreira, o destino conseguiu calar a boca da melhor de uma das mais belas vozes do Brasil. Angela encerro com essa letra: “Quem descerrar a cortina / Da vida da bailarina / Há de ver cheio de horror / Que no fundo do seu peito / Existe um sonho desfeito / Ou a desgraça de um amor / Os que compram o desejo / Pagando amor a varejo / Vão falando sem saber / Que ela é forçada a enganar / Não vivendo pra dançar / Mas dançando pra viver!”

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