Fernando Machado

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Noticias da Bahia

A primeira opera negra da Bahia será lançada no próximo dia 15, às 19h, no projeto da Ópera Lidia de Oxum, que acontecerá no Museu de Arte Moderna, em Salvador. A coordenação geral é de Ildázio Júnior e a direção artística de Gil Vicente Tavares filhos de Ildásio Tavares, que junto a Lindembergue Cardoso assina a obra, a montagem que vai acontecer em novembro, no Teatro Castro Alves em Salvador.

Ildazio Junior, Gil Vicente e Ildasio Tavares (Foto: Divulgação)

Uma das atividades físicas mais completas que existe, que mistura movimentos de dança, ioga, ginástica, assim é a pole dance e Salvador recebe no próximo dia 23 o I Festival Oxente de Pole Dance. O evento acontecerá no Teatro Jorge Amado e vai receber 36 performances de estúdios do Norte e Nordeste que mesclam diversas linguagens artísticas e nomes consagrados do cenário nacional da modalidade.

Nos Bastidores da Política

O secretário de Educação do Ceará, Idilvan Alencar, será o anfitrião da I Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação, que acontecerá nos próximos dias 12 e 13, no Hotel Gran Mareiro, em Fortaleza. Presidido por Alencar, o Conselho vai receber da secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães Castro, o texto da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio, para validação dos secretários.

O prefeito Carlos Eduardo Alves assinou, ontem, a lei nº 6.777, na qual cede um terreno situado no Conjunto Santa Catarina para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte construir o primeiro hospital público voltado para a saúde materno infantil de Natal. O terreno cedido pela Prefeitura do Natal à UFRN mede 16.400m2 e está avaliado em R$ 15,357 milhões.

Para celebrar as raízes negras e femininas da cultura pernambucana, a Terça Negra toma conta do Pátio de São Pedro, na próxima terça-feira às 20h. Programação do Movimento Negro Unificado, com apoio da Prefeitura do Recife, o evento contará com três atrações nesta primeira edição pós-Carnaval. Subirão ao palco o Coco Zé Neguinho, a Lady Lay e o Coco da Resistência.

A inesquecível Ana Maria Guimarães 

Embora situado numa região de grande concentração de negros remanescentes da época da escravidão, Pernambuco só elegeu sua primeira miss negra 100 anos depois de promulgada a Lei Áurea. Em 1988 o concurso Miss Pernambuco de 1988 bateu o recorde nacional de jovens afro-descendentes que participaram numa mesma competição. Das 34 candidatas, 4 eram negras: Ana Maria Guimarães (Clube Rodoviário), Itamira Andrade (Grupo Teatral Além do Túnel), Waldênia de Souza Melo (Clube Pierrot de São José), e Solange Monteiro Melo (Sirinhaém).

A foto oficial das candidatas ao Miss Pernambuco de 1988 (Foto: Roberto Paixão)

Nem a Bahia ou até mesmo o antigo Estado da Guanabara, cujas populações são predominantemente de negros tinha atingido essa marca. Mas para chegar até o título, Ana Maria Guimarães teve de enfrentar muitos obstáculos, como encontrar um clube que apoiasse seu nome, derrubar o preconceito das agremiações que não a aceitaram pela cor de sua pele. O Clube Rodoviário de Pernambuco, cujos sócios eram funcionários do DER-PE, topou a parada e abraçou o seu nome.

Ana Maria Guimarães, Andrea Minelli, Aninha, Valeria Nielsen,  Denir Santos e Aninha (Fotos: Geraldo Guimarães)

Do alto dos seus 1m80 de altura, corpo longilíneo,  passarela impecável a deusa de ébano ganhou a simpatia unânime das candidatas, os aplausos da platéia que lotou o salão principal do Clube Internacional do Recife e os votos da comissão julgadora formada por pessoas de prestígio, alguns da aristocracia pernambucana. Todavia, ao ter seu nome anunciado como a nova Miss Pernambuco, ela sentiu na pele o que seus antepassados sofreram no pelourinho e nas senzalas. Da platéia surgiu em sua direção um copo com resto de bebida e pontas de cigarro.

Aninha desfilando pela última como Miss PE e Aninha desfilando para ser Miss PE-88 (Fotos: Geraldo Guimarães)

Com muita altivez e classe, ela continuou  seu desfile majestosamente com coroa, faixa, manto e cetro e foi ovacionada pelo público deixando constrangido o autor do ato racista. Aninha tinha experiência como manequim, pois fazia parte do casting dos desfiles da Ele e Ela Modas, e soube tirar de letra aquele momento de fobia à sua raça. Do Recife seguiu para disputar o Miss Brasil de 1988 em São Paulo onde chegou como uma das favoritas.

No quinteto Aninha já se destacava (Foto: Geraldo Guimarães)

Ana dividiu os flashes, os holofotes e a mídia com a Miss Bahia, Vanessa Blumenfeld Magalhães, uma loura de arrasar quarteirões, lindíssima e apontada como a nova Martha Rocha. No entanto o concurso de 1988 foi de muitos equívocos e desacertos motivados pela ausência de Sílvio Santos no comando, devido a uma doença nas cordas vocais. Sem ele, a competição trocou o Palácio das Convenções do Anhembi pelo acanhado auditório da TVS, na Vila Guilherme. A miss eleita não era a preferida.

Ana Maria Guimarães no Bal Masqué e no Baile Municipal de 1989 (Fotos: Divulgação)

Primeiro anunciaram as 12 semifinalistas com a pernambucana incluída. Depois chamaram apenas três sem ela. Na época circularam nos bastidores boatos de que a mãe da Miss Bahia ficou indignada com o segundo lugar de sua filha e que desabafou que naquele concurso só tinham duas candidatas para ganhar, as misses Bahia ou de Pernambuco. Outro bafon que até hoje circula no mundo dos missólogos é que uma das juradas teria dado uma nota baixa a pernambucana evitando assim que outra negra fosse eleita Miss Brasil.

A senhora Ana Regina Rique e a Miss Pernambuco de 1988, Ana Maria Guimarães (Foto: Geraldo Guimarães)

Daí da deusa de ébano de Pernambuco ficou fora do Top 3. Em tempo: o júri foi composto por José Victor Oliva, Jassa, Deise Nunes, César Filho, Chico Recarey e Joyce Kermann. Outra controvérsia: as notas não foram dadas ao vivo como ocorria nas edições anteriores. Após o Miss Brasil Ana Maria Guimarães fez vários editoriais de moda para revistas nacionais e internacionais e desfilou no circuito São Paulo-Nova Iorque-Paris-Milão-Tóquio. Ela concluiu o curso de Psicologia, casou com o mesmo namorado da adolescência, atualmente reside em Natal, no Rio Grande Norte e continua sendo a única negra Miss Pernambuco. (Texto: Muciolo Ferreira)

Marina Montini é a tal

Marina Montini by Di Cavalcanti e na revista Ele e Ela (Fotos: Divulgação)

Outra  negra que não precisou de cotas para se destacar num concurso de miss e se tornar ícone de  beleza da mulher brasileira foi Marina Montini (1948/2006), pseudônimo de Maria da Conceição e Silva. Representando o Grêmio Recreativo e Social Cacique de Ramos no concurso Miss Guanabara em 1966, ela protagonizou uma das mais acirradas disputas entre duas mulatas nessa competição. Maria da Conceição teve por rival a candidata do Clube Renascença, Elisabete Santos, 3ª lugar. Marina Montini acabou em 5º lugar empatada com outras três finalistas, porque o evento era transmitido ao vivo pela televisão e não havia mais tempo o desempate.

Eliane Pio Pedro, Maria da Conceição e Silva, Vera Lucia Diniz Cabral e Marina Alice Vidal no Miss Guanabara de 1966 (Foto: Manchete)

 

Sem cotas para negras nem apadrinhamento político-partidário, em 1965 Maria da Conceição e Silva conquistou o título de Mulata do Quarto Centenário do Rio de Janeiro e lançada num programa de televisão na extinta TV Rio. Já famosa, em 1970 ficou em cartaz por um ano no Golden Room do Copacabana Palace como dançarina e modelo do show Rio Zé Pereira. Em seguida o empresário da noite Ricardo Amaral a levou para trabalhar na casa noturna que ele possuia na Avenida Champs Elysées, o pedaço mais elegante de Paris.

Solange Dutra Novelli, Miss IV Centenário e Marina Montini Mulata IV Centenário da Guanabara (Fotos: Divulgação)

Nascida e moradora de Vila Isabel, mesmo bairro de Noel Rosas, Martinho da Vila, Clementina de Jesus, Marina Montini ilustrou capas das mais importantes revistas do país, período em que acabou imortalizada nas telas do pintor Di Cavalcanti de quem se tornaria musa e posou durante sete anos. Isso depois de ser descoberta pelo artista plástico num outdoor anunciando pneus. Aliás, o próprio Di Cavalcanti disse em várias entrevistas que “os quadros ilustrando Marina Montini não precisam de retoques”. (Texto: Jornalista Muciolo Ferreira)

Marina Moniti no Top 8 do Miss Guanabara de 1966 (Foto: O Cruzeiro)

 

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