Fernando Machado

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Yolanda Santos: Miss Pernambuco de 1930

Há 87 anos, na tarde domingo, acontecia no Clube Internacional do Recife, na Rua da Aurora, a escolha da Miss Pernambuco de 1930. Na frente, do clube, um grupo de guardas-civis em traje de gala, entre as Ruas da Aurora e Riachuelo, fazia o isolamento para entrada das candidatas e convidados. Havia muita gente nos arredores, o famoso sereno, para não perder nada do que iria acontecer no Internacional. O segundo concurso de Miss Pernambuco, foi promovido pelo Diário da Manhã, leia-se Carlos de Lima Cavalcanti.

As vencedoras ao lado do juri e convidados no Internacional (Foto: Diário da Manhã)

Inscreveram-se no Miss Pernambuco de 1930, 86 candidatas, todavia apenas 10 ficaram para a final. Foram elas Glauce Pinto (Miss Boa Vista), Neñita Argo Alarcon (Miss Santo Amaro), Nininha Menezes (Miss Madalena), Yolanda Gama (Miss Soledade), Eleonora Pessoa (Miss Areias), Helena Castro (Miss Jaboatão), Maria José Nunes de Souza (Miss Recife), Maria Eulina Regueira (Miss Beberibe), Yolanda Santos (Miss Olinda) e Lulu Faneca (Miss Apipucos).

Connie Braz da Cunha Miss Pernambuco de 1929 (Foto: Diário da Manhã)

A comissão julgadora foi presidida pelo jornalista Mário Mélo (Jornal Pequeno), e contou ainda com o comerciante Luiz Cedro, os artistas plásticos Mário Tullio, Mário Nunes, Murilo Lagreca e Bibiano Silva, o secretario Heitor Maia Filho, Miss Pernambuco de 1929 Connie Braz da Cunha, os jornalistas Jarbas Peixoto (Diário da Manhã), José Campelo (Diário da Tarde), Willy Lewin (Prá Você), Caio Pereira (Jornal do Commercio), Salvador Nigro (Diário de Pernambuco), Jayme Santos (A Provincia), Alfredo Porto Silveira (A Pilhéria) e Carlos Rios (A Notícia).

Yolanda Santos Miss Pernambuco de 1930 (Foto: Diário da Manhã)

A plateia muito bem vestida estava impaciente, pois já era 15h30 e a comissão julgadora não tinha divulgado o resultado, o júri e as misses estavam reunidos na sala da presidência. Finalmente desceram os jurados e as misses. Coube ao presidente da comissão julgadora Mário Melo informar que o primeiro lugar foi para Yolanda Santos (12 votos), Glauce Pinto (3 votos) e Neñita Argo de Alarcon (1 voto). Portando a nova Miss Pernambuco era Yolanda Santos de Olinda. Em tempo as candidatas não desfilavam de maiô.

Nenita, Yolanda e Glauce Pinto e na outra foto Yolanda e Connie (Fotos: Diário da Manhã)

Para o segundo lugar Glauce Pinto (11 votos), Neñita de Alarcon (4 votos) e Yolanda Gama (1 voto). E finalmente para o terceiro lugar Neñita Argo de Alarcon (10 votos), Yolanda Gama (3 votos), Maria Eulina Regueira (2 votos) e Nininha Menezes (1 voto). Informação importante: A candidata Helena Castro, de Jaboatão, já tinha participado do concurso em 1929. Portanto é coisa antiga as jovens voltarem ao concurso no ano seguinte.

As candidatas antes de se reunirem com a comissão julgadora (Foto: Revista Prá Você)

A Miss Pernambuco de 1930, Yolanda Santos tinha 17 anos, usou um modelo de crepe georgette em estilo grego e na cor rosa pálido. Yolanda Santos apesar de ter representado Olinda, nasceu em Casa Forte. Sua viagem para participar do Miss Brasil de 1930, no Rio de Janeiro, aconteceu no dia 26 de junho pelo paquete Pará. A imprensa não informou se o publico contestou o resultado, pelo visto gostaram.

 

Parabéns

Hoje, 21, Dia de Santo Anselmo, da Latinidade, do Metalúrgico, do Policial Civil e Militar, de Tiradentes, aniversariam a senhora Tinane Almeida, os executivos Gilmar Spinelli de Menezes, Keila Benicio, Miriam Machado Guimarães Thomas e Tereza Latache, jornalistas André Dib, Nilton Lemos e Norma Lucia Macedo,

A Miss Brasil Mundo de 1960 Maria Edilene Torreão (Foto: Mundo Ilustrado)

O artista plástico Mané Tatu (Foto: Face)

O Renascença se exila das passarelas

A era de ouro do Clube Renascença nos concursos de miss termina em 1970, com Sônia Silva disputando com 27 outras candidatas a faixa de Miss Guanabara ficando em 3º lugar. Curiosamente nas duas ocasiões em que as mulatas do Rena conseguiram essa mesma colocação suas algozes foram coroadas Miss Brasil. Foi assim com Elizabeth Santos em 1966, que perdeu para Ana Cristina Ridzi e Sônia Silva que ficou atrás de Eliane Fialho Thompson. Outra coincidência: ambas eram louras.

A quarta da direita para esquerda Dirce Machado, Miss Renascença de 1960 (Foto: O Cruzeiro)

Polêmicas à parte, de concreto mesmo só o fato do Renascença se exilar das passarelas em definitivo e o Miss Guanabara perder o charme por não contar mais com a presença da torcida mais animada, calorosa e  barulhenta do Maracanãzinho. De 1960 quando elegeu sua primeira miss até 1970, a agremiação só não enviou candidatas em 1965 e 1969.

Iara Santos, Miss Renascença de 1961, é a quinta da direita para a esquerda (Foto: O Cruzeiro)

No primeiro caso a ausência teve como justificativa o sucesso internacional de Vera Lúcia Couto no Miss Beleza Internacional de 1964 motivando o início imediato das obras de reformas da sede, porque a agremiação tinha conquistado status atraindo ao quadro de associados uma parcela da então emergente classe média formada por profissionais liberais, construtores, intelectuais e artistas negros. Em 1969 alegação é que não tinham encontrado uma jovem em condições de repetir o sucesso das misses anteriores.

Miss Renascença de 1963 Aizita Nascimento e a terceira das cinco (Fotos: Manchete e O Cruzeiro)

Até porque as candidatas do Renascença eram aguardadas na maior expectativa pela mídia e o público em geral, e sempre eram apontadas como favoritas. Coincidentemente, Ilan Amaral, única mulata inscrita no Miss Guanabara de 1969 pelo Cacique de Ramos não ficou nem entre as oito finalistas. A mesma decepção ocorreu em 1968, quando o Renascença apostou todas as suas fichas em Ione Fernandes e ela ficou fora do top 4. Teve como principal adversária nada mais nada menos que Maria da Glória Carvalho, Miss Clube Monte Líbano, 3º lugar no Miss Brasil e única brasileira eleita Miss Beleza Internacional, no Japão.

Miss Renascença de 1964, Vera Lucia Couto, de maiô e vestido by Hugo Rocha (Fotos: Manchete)

Mas para falar dessas verdadeiras Deusas de Ébano que não precisaram de cotas para conquistar fama e sucesso não poderíamos omitir um personagem que incentivava e descobriu muitas delas no seu ambiente de trabalho. Falamos da cabeleireira Dinah Duarte, proprietária de um salão de beleza no Méier, vizinho ao Andaraí, onde até hoje fica a sede do Renascença. Dinah não foi a idealizadora do concurso Miss Renascença, todavia foi a responsável pela incorporação de inovações na parte social do clube.

Sandra Duarte, Elizabeth Santos (Miss Renascença de 66), Maria Elizabeth e Ana Cristina Ridzi (Foto: Manchete)

Era Dinah Duarte responsável pela preparação das candidatas. Foi ela inclusive quem produziu e acompanhou Vera Lúcia Couto dos Santos tanto nas fases estadual e nacional dos concursos como na viagem aos Estados Unidos onde participou do Miss Beleza Internacional na condição de Primeira Miss Brasil Negra, como a própria Verinha faz questão de dizer em todas as entrevistas.

Sonia Maria Aguiar, Miss Renascença de 1967 (Fotos: Divulgação)

Atualmente o Renascença promove eventos sócio-educativos e culturais em sua sede. Foi fundado em 17 de fevereiro de 1951 por um grupo de negros de classe média que, impedidos de ingressar em clubes tradicionalmente frequentados por brancos, resolveu criar uma agremiação onde as famílias negras pudessem se reunir e se confraternizar se divertindo num ambiente social e cultural em harmonia, onde não sofressem discriminação.

Sônia Silva, Miss Renascença de 1970 (Foto: Manchete)

O grupo era formado pelos advogados Oscar e Jandir de Paula Assis; os comerciantes Domingos e Idalina de Jesus Soares, além dos irmãos médicos Humberto e Diva de Oliveira, e Enedina Rodrigues da Silva. Em 1958 o clube foi transferido para a Rua Barão de São Francisco, no Andaraí, mantendo, valorizando e preservando suas tradições culturais, mas exilado das passarelas que imortalizaram suas misses e o consagraram internacionalmente. (Texto do missologo Muciolo Ferreira)

Brigitte Bardot visitou o Renascença em 1964 e foi recebida por Vera Lúcia Couto (Foto: Divulgação)

Momento de Reflexão

“Será que Terezinha Morango, Miss Amazonas teria vencido o Miss Brasil em 1957 se a candidata do Distrito Federal tivesse sido Maria de Lourdes Monteiro, a candidata do Clube da Aeronáutica? Porque depois de Marta Rocha, acredito ter sido o rosto mais bonito de uma miss nos anos 50. Fui apresentado a ela por meio de seu blog. Em tempo: Terezinha Morango também era baixinha, media apenas 1, 65m de altura”, escreveu o missologo Muciolo Ferreira.

Terezinha Morango e Maria de Lourdes Monteiro (Fotos: O Cruzeiro)

Os Católicos vivem intensamente a Semana Santa. Ápice da fé cristã, esse período é marcado por celebrações e atos litúrgicos que recordam a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Realizada há 18 anos, a Via-Sacra da Fraternidade percorrerá hoje, as ruas do centro do Recife. A caminhada é promovida pela Associação Missionária Amanhecer e coordenada pelo padre João Carlos Ribeiro. A concentração é no Pátio de São Pedro, às 6h.