Fernando Machado

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Um sucesso a manifestação contra Lula

O relógio marcava 18h quando começaram a chegar os primeiros manifestantes, nos arredores da Padaria Boa Viagem, para demonstrar o descontentamento com o Supremo Tribunal Federal. O STF está articulando uma maneira de não prender Lula após a condenação em segunda instância. O julgamento acontece hoje, em Brasília, mas o povo está sentindo cheiro de pizza.

O cortejo de mascarados remetendo aos ministros do STF carregando o caixão onde repousava o nome Lava Jato (Foto: Fernando Machado)

Os manifestantes sempre são criativos. Seis pessoas com máscaras de ministros do STF carregavam um caixão onde se lia Lava Jato, fez o maior sucesso. A maioria das pessoas que foi à Avenida Boa Viagem usava camisas amarelas. Um coral de quatro mil vozes cantava músicas como Lula Ladrão, seu lugar é na prisão ou então nossa Bandeira jamais será vermelha.

O Pixuleco ficou no Segundo Jardim,  o ponto final da manifestação (Foto: Fernando Machado)

Quando os organizadores em cima do carro de som, quando citavam os nomes dos ministros a vaia tomava conta do local. O ministro Gilmar Mendes foi o mais vaiado pelo publico. Um boneco gigante do deputado Jair Bosanaro foi destaque, principalmente entre os jovens. Às 21h, no Segundo Jardim, foram executados os hinos do Brasil e de Pernambuco, encerrando no Recife a vitoriosa passeata contra a liberdade de Lula.

Almir, estou roxo de saudade de ti

O velório do Rei das Passarelas dos nossos carnavais, Almir da Paixão, foi simples, como era o seu feitio. Não tivemos missa de corpo presente, apenas orações primeiro pela sua amiga e Ministra da Eucaristia Lucia Queiroz e depois por um diácono do Cemitério Memorial Guararapes, em Prazeres. Sua filha Karla e o marido Maxwell Rodrigues, e seus dois filhos, Guilherme e Giovanna, estavam visivelmente emocionados.

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O momento sombrio da despedidas do Almir (Foto: Fernando Machado)

E sobre a proteção de Cristo na Cruz. Cheguei junto do caixão e por cinco minutos fiquei em silencio, procurava palavras para agradecer a Deus por tê-lo colocado no meu caminho. Sofri ao seu lado quando alguns concorrentes de fantasias o machucava. Vibrava quando faturava os primeiros lugares no Bal Masqué ou no Muncipal. E nunca choramos porque “Ainda que vier noites traiçoeiras / Se a cruz pesada for, Deus estará contigo / O mundo pode até fazer alguém chorar / Mas Deus te quer sorrindo”.
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Um momento inesquecível na hora da despedida (Foto: Fernando Machado)

Não fiquei surpreso pela ausência dos carnavalescos que subiram nas passarelas ao seu lado, ou de coroas de flores do Clube Internacional do Recife e da Prefeitura da Cidade do Recife. A amiga Auris me confessou: “Era um homem do bem só pensava em ajudar os outros, mas foi enganado, roubado e maltratado, mesmo assim não tinha raiva de ninguém. Gostava de afirmar “Estou ótimo, Auris, melhor caio duro”. Esse era o Almir o que acolhi desde 1972. Remetia a São Francisco: “Onde houver tristeza / Que eu leve alegria / E é morrendo que se vive para vida eterna”.