Fernando Machado

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A Diva Helena Pessoa de Queiroz Gomes

No dia 16 de abril de 1917 nascia Helena, filha de Terezinha e José Pessoa de Queiroz. Indiferente é um adjetivo que não se aplica a essa figura feminina que marcou época no Recife. Ela conseguiu mexer com nossa sociedade. Falava francês fluentemente e com 19 anos, casou pela primeira vez com o executivo Jaime Ramiro Costa, na Ordem III de São Francisco da Rua do Imperador e com ele uma filha, Solange, que casou com o usineiro alagoano João Lyra. É avó de Thereza Collor.  Depois de alguns anos resolveu se desquitar e por conta disso, parte da sociedade pernambucana virou as costas para ela.

Demazinho Gomes, Lotinha, Helena e F. Pessoa de Queiroz (Foto: Natanael Guedes)

Por conta disso Helena decidiu morar no Rio de Janeiro onde se casou pela segunda vez, desta feita com o advogado pernambucano Leopoldo Lima. Na Cidade Maravilhosa viveu modestamente, mas sempre com majestade. Era amiga do presidente Getúlio Vargas e esteve com ele, no Catete, no dia 24 de agosto de 1954, antes e depois do suicídio. Era cliente da Casa Canadá, leia-se Mena Fiala (1908/2001), uma mais chiques boutiques do Rio de Janeiro. Helena também era amiga de Adolfo Bloch, o proprietário da Revista Manchete (1952/2000). Como o casamento não deu certo se desquitou mais uma vez e voltou para o Recife, a pedido dos pais.

Helena Pessoa de Queiroz Gomes e Beki Klabin no Bal Masué, no Internacional (Foto: Acervo do Blog)

Quando chegou no palacete da Rosa e Silva, sua irmã Dulce, foi contra que Helena voltasse a morar lá. Então foi residir na casa do tio, F. Pessoa de Queiroz. Aqui retomou suas atividades de locomotiva. Ao lado de Laïs Cabral da Costa foi uma das fundadoras da Lapinha. Também com Nanie Siqueira Santos e outras damas do nosso high criaram o Clube da Mulher do Campo. Ajudou muitos artistas e até colunistas sociais no inicio de carreira. Era uma mulher audaciosa, afoita e acima de tudo amiga. Sua residência na Avenida Boa Viagem, também famosa como a Casa Goiaba aconteceram muitas recepções.

O padre abençoando as alianças de Helena Pessoa de Queiroz by Marcilio Campos e Demazinho Gomes by Bruno Perrelli (Foto: Acervo do blog)

Nos anos 70, do alto dos seus 53 anos, conheceu Waldemar Gomes Filho, ou Demazinho Gomes, de 23 anos. Foi um escândalo, todavia ela, como dizia Ibrahim Sued, (Os cães ladram e a caravana passa), e no dia 30 de setembro de 1972, ela se casou com ele. Foi sem duvida um acontecimento. A Casa Goiaba estava lotada com parte do crème de la crème da nossa sociedade. Um padre deu uma benção e o babalorixá, Pai Edu, fez uma oração espírita. Como se pode notar não tinha nada que abafasse o brilho de Helena, que não era Elizeth Cardoso, mas era Divina.

Helena Pessoa de Queiroz Gomes e sua filha Solange, em 7 de junho de 1988 (Foto: Geraldo Guimarães)

Helena era reverenciada como uma diva por onde passava. Foi um nome que a história guardou. Para uns, Helena lembrava Nefertiti (rainha egípcia) e para outros, uma figura saída de um camafeu. Figurou nas listas das Mulheres Mais Elegantes de Alex e João Alberto. Não esquecer que Helena foi colunista social do Diário de Pernambuco e depois no Jornal do Commercio. E sabe por qual era o time que Heleníssima torcia? O Santa Cruz. Tive a honrar de freqüentar a Casa Goiaba e às vezes sempre aos domingos ceiar com Helena e Demazinho.

Helena em 20 de março de 1988 e em 10 de junho de 1973 (Fotos: Acervo do Blog)

Uma informação importante. Teve uma época que o nome de Helena Pessoa de Queiroz foi proibido de circular na coluna social de Alex, do Jornal do Commercio. Então ele inspirado na Dama de Preto criada pelo colunista Ibrahim Sued rebatizou Helena de a Dama de Vermelho, porque adorava usar essa cor. E não é que foi um su, sem limites. Helena Pessoa de Queiroz faleceu no dia 3 de setembro de 1989, porém está imortalizada no Olimpo da Elegância.

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